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Mostrando postagens de Outubro, 2007

MISSA

A hora em que o Senhor reúne suas ovelhas é a hora em que a província é mais tacanha e ensimesmada, a urbe é vila das almas e todos acreditam piamente na fraternidade entre os homens. Unem-se no mesmo rito o mendigo à porta da igreja e o turco da loja, que não fia nem à mãe. Caciques políticos que não se olham na cara ficam, a contragosto, debaixo da mesma abóbada. Todos perfeitamente equalizados na filiação divina, tentando honrar o que do Altíssimo receberam e merecerem a salvação no dia final.

- Andai com retidão pelos caminhos do Senhor. A quem muito foi dado, muito será cobrado.
O sinal da Cruz com água benta. Um olhar à esquerda e outro à direita, pra saudar os conhecidos antes de tomar assento. O Ministro da Eucaristia repassando a primeira leitura. Alô, sssssssommm.

- Vamos ensaiar mais uma vez o canto do ofertório, na página 3 do folheto.
Amalgamam-se velas, incenso, perfumes finos e populares. A igreja cheia. As velhas com suas novenas e missais, véus negros como os arabescos de…

NANA, NENÊ

SARAU DO BOCA-SUJA

Foto inédita da dupla Boca-Suja e Cala-Boca, que divertiu gerações de peraltas. Boca-Suja é o primeiro da esquerda para a direita.



Há quem odeie o domingo por ser o prenúncio da segunda-feira ou por considerá-lo um dia morto, dedicado ao fastio que acomete o populacho pela ingestão desmedida de talharini e bracholas no decorrer do período.

Se não falta quem reserve estas preciosas 24 horas à rebordosa gástrica, outros optam por gastá-las empanturrando o cérebro. A esta segunda categoria pertence o imenso público que lotou as dependências do Parque Municipal de Exposições, para mais um glorioso Sarau.

A maratona artística teve início com uma saudação de boas-vindas aos presentes, pela surda-muda Helena Somoza. Concluída a preleção, abriram-se as cortinas para o Prof. Joãozinho, que nos brindou com uma apresentação de sapateado sobre o Concerto para Lata de óleo Mazola e Orquestra, de Dimitri Rothje. Notando a calorosa reação da platéia, o catedrático empolgou-se, pigarreou por quatro min…

PISCINA CHEIA

- Piscina é um negócio nojento mesmo. Se a gente parar pra pensar não entra numa de jeito nenhum.
- Ainda mais piscina de clube. Mas quem ligava pra isso? O que tinha que acontecer rolava aqui, em volta e dentro dela.
- Um caldo coletivo de bactéria, mas o que podia ser melhor que aquela vida irresponsável, cheirando a cloro? É, eu tinha cloro nos cabelos. Melhor ainda, eu tinha cabelos.
- Que graça tem hoje, com essa história de piscina em casa? Todo mundo tão isolado. Instrumentalizaram a piscina. Piscina serve pra não precisar ser sócio de clube.
- Lembro que você não tinha nenhuma estria ainda. Celulite, nem pensar. Pernas roliças, seios de pêra. Ah, mulher, você era mais lisa e simétrica que os azulejos da Olímpica. Olha eles agora. Alguns soltos, muitos trincados, outros descorados, cheios de limbo verde.
- O que me comove é este seu transbordante romantismo.
- 1981, 82. Não havia como não olhar pra você, com aquele biquíni mínimo.
- Que depois eu acabei jogando fora, você não me deixo…