Pular para o conteúdo principal

AULA DE RELAXAMENTO


VAMOS LÁ, PESSOAL. INSPIRANDO... EXPIRANDO... SENTINDO CADA MÚSCULO DO CORPO TOTALMENTE RELAXADO, MOLE COMO MACARRÃO COZIDO...


É, macarrão pode ser uma boa pro almoço. Não dá tanto trabalho, abro uma lata de molho e pronto. Latitude e longitude, tenho que lembrar a definição certinha pra ajudar o Júnior na lição. O computador está no conserto, preciso pesquisar em outro lugar.


VISUALIZEM AGORA UMA LUZ AZUL, SUAVE E REPOUSANTE, ENVOLVENDO TODO O SEU SER...


Quando estava no ginásio era tudo na munheca, copiando a lápis da Barsa. E tinha que ser na biblioteca. Bem incômodo, mas pelo menos os livros não pegavam vírus. Quando muito, umas traças.


CONCENTRANDO O PENSAMENTO EM UM MANTRA OU UM OBJETO. UMA VELA COM A CHAMA ACESA, POR EXEMPLO. QUIETUDE TOTAL...


Esse eco de academia. Que quietude é possível? O mundo quieto, cale-se, Chico Buarque. Dizia tudo falando em código. Ditadura. Julinho de Adelaide, o pseudônimo que ele adotou pra burlar a censura. Nossa, eu lembro disso. Tinha uns 14 na época. Cale-se, vai. Vê se presta atenção na aula, Denise.


A IDÉIA É APAZIGUAR O CÉREBRO, AFASTAR IDÉIAS FIXAS E OBSESSIVAS...


De novo aqueles montinhos pretos e malcheirosos na minha grama. O cachorro é dela, caramba, ela é que tem que dar um jeito nessa situação.


SINTA-SE LEVE, IMAGINE-SE PAIRANDO ACIMA DO CORPO...


Leve, é? Sei, sei. É dieta, caminhada 4 vezes por semana, e vai ver... Fora as pelancas. Agorinha, quando baixei a cabeça, senti a pele do rosto se desprendendo dos ossos, cedendo à lei da gravidade. Ai, meu Deus, comigo não. Não está acontecendo, livrai-me.


NESSE ESTÁGIO EM QUE ESTAMOS, AS ONDAS CEREBRAIS ENTRAM EM OUTRA FREQÜÊNCIA...


Terça que vem é aniversário do Jonas. Afilhado não é filho, vai uma lembrancinha de 1,99 mesmo. Melhor já comprar no caminho de volta.


LEMBREM-SE QUE 12 MINUTOS DESSE EXERCÍCIO EQUIVALEM A 4 HORAS DE SONO PROFUNDO...


Espera aí, tinha mais uma coisa pra fazer. Café e mussarela na padaria, a pilha do portão eletrônico, água oxigenada pra clarear esses pêlos pretos do antebraço... Malditos pêlos, devia ter nascido homem. Tudo muito mais prático. Que mais que tinha que fazer mesmo?


O STRESS, AS PREOCUPAÇÕES, A ANSIEDADE, NADA DISSO EXISTE AQUI. JUNTOS ESTAMOS TRANSCENDENDO O COTIDIANO ASFIXIANTE E MESQUINHO. ENTRANDO NUMA NOVA DIMENSÃO PLENA DE PAZ, TRANQÜILIDADE E HARMONIA...


Lembrei: o Lexotan! Ah, não... esqueci a receita lá em casa.





Comentários

  1. Evelyne Furtado10:50 AM

    Oi, Marcelo!Acabei de ler e não resisti. Tinha que responder agora. Meu amigo, esse texto é a minha cara. Já passei por situações iguais a essa. Não pensar , para mim era absurdamente impossível durante um relaxamento ou tentando meditar. Consegui algumas vezes, mas é cansativo demais,rs. Bem, falei da minha identificação com o texto, agora digo do prazer que é ler você toda semana. É muito bom, mesmo, meu amigo. Você é versátil, surpreendente e escreve maravilhosamente bem.Obrigada! Nada melhor do que elogiar com espontaneidade.Beijão e ótimo fim de semana!Veca

    ResponderExcluir
  2. Elizete Lee1:52 PM

    Marcelo...

    Genial, só mesmo um LEXOTAN para dar um tempo nesse mundo de ilusão!

    Abraços e como sempre:
    AQUELE PARABÉNS PRÁ VC.



    Ps: estava sem internet, problemas com as eficientes operadoras.

    ResponderExcluir
  3. Eli Muzamba3:14 PM

    estou na zoropa meu caro, e me lembrei bastante

    de voce em Londres. Ja fiz varias cidades, podemos combinar mais um

    Fellini pra falarmos dessas maravilhas todas daqui, rs



    Assim que chegar lerei seus ultimos textos



    gde abraco



    Muzamba

    ResponderExcluir
  4. Marcelo, cá na capital do Brasil preciso de um relax do curso que estou fazendo. ainda não achei, mas vou saboreando seu "lexotan" de letras. abç

    ResponderExcluir
  5. Wallace Fauth1:45 AM

    Marcelo, sensacional!
    Adoro esse tipo de sacada que você tem...
    A gente gosta dos textos por causa das coisas que a gente gosta em nós mesmos... Somos egoístas, acho.
    Eu queria ter essa idéia que vc teve...
    Uma outra idéia que li interessante desse tipo foi o de uma moça que fazia horóscopo para o jornal e aproveitava para mandar recados específicos. Achei genial.

    ResponderExcluir
  6. Filipe Moretzsohn7:06 AM

    Esqueceu o lexotan e o gardenal também né idiota!valeu, nego bom descanço.Abrs

    ResponderExcluir
  7. Ana Maria7:07 AM

    é assim mesmo, muito bom Marcelo!

    ResponderExcluir
  8. Regina7:20 AM

    Marcelo, sabe o que eu mais gosto nos seus textos? é que a "voz" geralmente é feminina...rsrsrs
    Adorei relaxar!
    Abração e boa semana

    ResponderExcluir
  9. Sandra Nogueira7:44 AM

    hahahaha se parar de respirar não matasse até isso eu esqueceria, ou guardaria numa gaveta até uma hora mais propícia.
    abraço e até amanhã
    Sandra

    ResponderExcluir
  10. Marieta10:14 AM

    MUITO LEGAL MANO, ADOREI.CABEÇA DE MULHER É PIOR QUE BOLSA...
    BEIJOS...

    ResponderExcluir
  11. Maria Célia Marcondes12:06 PM

    A verdade, é que é verdade! Também já entrei nessa. Que concentração, que nada!!!
    Viva os orientais. Será que eles conseguem, mesmo!!!!
    Além do mais é um belo texto.
    Abraço
    MCélia

    ResponderExcluir
  12. Muito bom, Marcelo!
    No início, imaginei um sujeito tentando ficar "zen", só depois saquei que era mulher. De certa forma, preferia que fosse homem... hehehehe
    Beijos, ótimo texto!
    Lílian Maial

    ResponderExcluir
  13. Hahahahaha...Tirando a água oxigenada e o Lexotan, lembra não sei quem, sabe? Difícil essas tais de luzinhas azul, verde, amarela...Não adianta, eu sempre me lembro do semáforo...rs. Ainda mais do jeito que eu ando correndo...(de carro mesmo). Mas a gente tenta, tenta...rsBom ler aqui de novo suas queridas palavrinhas.Você tá legal, né? Qualquer coisa, relaxe...relaxe....rsBeijos carinhosos.Mary

    ResponderExcluir
  14. Belvedere Bruno11:06 AM

    Retrato real. rsssssssssss
    Bjs

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A CAPITAL MUNDIAL DO BILBOQUÊ

Para os menores de 30, é natural não conhecê-lo. Então comecemos por uma sucinta porém honesta definição.

Bilboquê: originário da França, há cerca de 400 anos, foi o brinquedo favorito do rei Henrique III. Consiste em duas peças: uma bola com um furo e um pequeno bastão, presos um ao outro por um cordão. O jogador deve lançar a bola para o alto e tentar encaixá-la na parte mais fina do bastão. (fonte:www.desenvolvimentoeducacional.com.br).

Mais do que um brinquedo, Bilboquê é o nome de uma cidade, localizada a noroeste da pacata estância de Nhambu Mor. Chamada originalmente de Anthero Lontras, foi rebatizada devido ao número desproporcional de habitantes que fizeram do bilboquê a razão de suas vidas, dedicando-se ao artefato em tempo integral (incluindo-se aí os intervalos para as necessidades fisiológicas).

A tradição se mantém até hoje, ganhando novos e habilidosos adeptos. Nem bem raia o dia na cidade e já se ouvem os toc-tocs dos pinos tentando encaixar nas bolas. Uma distinção se…

SANTA LETÍCIA

Letícia, em seu compartimento estanque, se bastava. Vivia debaixo de uma campânula guardada por um querubim estrábico, numa imunidade vitalícia às dores do parto, à lavagem da louça, às filas nas repartições e à rabugice dos maridos sovinas e dominadores. “Façam o que quiserem, contanto que poupem a Letícia” era o veredito invariável sob qualquer pretexto e em qualquer ocasião, naqueles sítios de lagartos e desgraças.
Nada que se comparasse àquela que chamavam de Letícia, e que raras vezes se afastava de seus cães e de sua coleção de abajures. Era o tesão das rodas regadas a cerveja. Era a inveja e o assunto nos salões de beleza. Era o exemplo de virtude no sermão do padre, que botava as duas mãos no fogo do inferno e uma terceira se tivesse pela sua inteireza de caráter.
Assim a vida corria daquele jeito de costume, com a cidade a lhe estender tapetes, a lhe levar no colo e a lhe cobrir de afagos, soprando-lhe o dodói antes que se machucasse. Passou a ser o tema das redações escolares …

ESTRANHA MÁQUINA DE DEVANEIOS

Habituais ou esporádicos, todos somos lavadores de louça. Lúdico passatempo, esse. Sim, porque ninguém vai para a pia e fica pensando: agora estou lavando um garfo, agora estou enxaguando um copo, agora estou esfregando uma panela. Não. Enquanto a água escorre e o bom-bril come solto, o pensamento passeia por dobrinhas insuspeitas do cérebro. Numa aula de história, em 1979. O professor Fausto e a dinastia dos Habsburgos, a Europa da Idade Média e seus feudos como se fosse uma colcha de retalhos. O Ypê no rótulo do detergente leva ao jatobazeiro e seu fruto amarelo de cheiro forte, pegando na boca. Cisterna sem serventia. Antiga estância de assoalhos soltos. Rende mais, novo perfume, fórmula concentrada com ação profunda. A cidade era o fim da linha, literalmente. O trem chegava perto, não lá. Trilhos luzindo ao meio-dia. Inertes e inoperantes. As duas tábuas de cruzamento/linha férrea dando de comer aos cupins. Crosta de queijo na frigideira, ninguém merece. Custava deixar de molho? A…