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RAMIFICANDO

Ilustração: Marco Fraga
Deitado na rede, após o almoço, estava naquele limbo entre o sono e um vago estado de vigília. Acima dele, a copa densa da árvore não conseguia filtrar todo o mormaço do dia.
As ramificações, do tronco para os galhos maiores, dos galhos maiores para os menores, e destes para outros raminhos minúsculos, despertou nele um paralelo com a própria vida. Refletia em como uma decisão, num dado ponto do tempo, faz o destino ir pra um lado ou pra outro completamente diverso. Os galhos maiores seriam as escolhas cruciais, que determinam os rumos mais importantes. Os menores, as conseqüências que deles derivam. Um esbarrão em alguém no supermercado e pronto - uma série de acontecimentos aparentemente banais vão se encadeando. E aquela garota na gôndola de cosméticos acaba mãe dos seus filhos.

Espantou uma mosca, se ajeitou melhor na rede e se pôs a pensar no que poderia ter sido e não foi. Feliz ou infelizmente.

Possibilidade 1: ao invés de sair de casa pra cursar Economia, ele fica morando lá mesmo. Lá, naquele fim de mundo onde nunca ninguém merecia ter nascido. Amarga um emprego no banco, depois abre uma loja de ferragens - que se transforma em disk comida árabe, franquia dos Correios e distribuidora de água mineral. Vai levando como pode e toma umas duas ou três todo final de tarde. Gosta de carros antigos, joga futebol de botão sozinho e será candidato outra vez a vereador. Não nega que deve, muito e a muita gente. Mas diz que paga quando puder.

Possibilidade 2: seguindo uma inclinação de infância, ele vai para o seminário em 1978. A avó exulta de alegria: que benção um sacerdote na família! Excessos no genuflexório o obrigam a uma operação no menisco do joelho esquerdo, três anos depois. Recuperado, abandona a vocação religiosa. Presta um concurso na antiga Light, e passa em sexto lugar. Solteirão, mora em onze cidades diferentes. Aposentou-se o ano passado e hoje toca uma pousadinha em Guarapari.

Possibilidade 3: sua cega paixão pelo The Doors o leva, um dia, ao túmulo do Jim Morrison em Paris. No vôo de volta ao Brasil, senta-se ao lado de um enólogo da Real Companhia Velha, fabricante secular de vinho do Porto, em viagem ao Rio para visitar parentes. Bastam dez minutos para que se tornem amigos de infância. Trocam cartões e se despedem no aeroporto. O distraído lusitano deixa cair a carteira, bem recheada. Ele liga para o enólogo, dizendo que está com ela. A recompensa não tarda: um emprego em Portugal. "Aceitas, ó pá? Morarás numa linda quinta, serás meu braço direito e não terás despesa alguma". Ele topa. Conhece uma rapariga e, pouco tempo mais tarde, enche a quinta de miúdos (crianças, no português de Portugal). Todos os anos, nas férias, ele vai para o Brasil. Fátima, a esposa, fica. Para cuidar dos meninos e degustar o enólogo.

Possibilidade 4: Aquele galho (sem trocadilhos) dos tempos de colégio vira namoro e depois casamento. O que seria terrível: a Gracinha ficou gorda e (mais uma vez, sem trocadilhos) perdeu completamente a graça. Sem falar nos cinco meninos que ela teve. Tá certo que se casou com um crente, que não admitia anticoncepcional. Casada com ele, talvez tivesse um filho só, continuasse o balé no conservatório e mantivesse, ainda por uma boa década, toda aquela saúde que fez sua fama na cidade e adjacências. É, podia ser. Podia, só que não foi assim. Vamos pra próxima.

Possibilidade 5 (tão bem-arranjada quanto inverossímil): as dezenas 02 - 15 - 16 - 34 - 38 - 49 , a mesma fezinha que fazia há anos, finalmente sairiam numa Sena Acumulada. A bolada seria grande e todinha dele. Ganharia mundo e poderia muito bem estar agora numa tabacaria em Gênova. No lobby de um hotel em Bruxelas. Caminhando por Beirute e ouvindo Mozart no disc-man. Ou então, já desapegado do dinheiro, aprendendo meditação em Nova Dheli. Poderia estar em qualquer lugar. Menos ali, às quinze pra uma da tarde, olhando feito bobo para a copa de um flamboyant.
Possibilidade 6...

© Direitos Reservados

Comentários

  1. Gina Soares2:16 AM

    Bom dia, Marcelo.

    As possibilidades poderiam ter sido tantas.... é muito legal relembrar e imaginar o que poderia ter sido e não foi...

    Amei a crônica.

    Ótimo final de semana..

    Abs,
    Gina Soares

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Marcelo, meu querido, vc é um gênio!!! ADORO ler textos inteligentes como o seu. Começo a ler e não quero parar preciso chegar ao final, pra depois retornar a leitura( Gosto de ler o mesmo texto duas vezes, mas só quando gosto do conteúdo).Como vc deixou claro com o esse final reticente, as possibilidades são infinitas... É uma pena que normalmente uma reflexão como essa não aconteça na cabeça do jovem antes de escolher o rumo que vai dar a sua vida, mesmo se acontecesse seja lá qual fosse o rumo escolhido,mais tarde as outras possibilidades também seria questionadas, nenhuma escolha fica livre de uma reflexão como esta.
    Mas vou parar por aqui porque se eu for continuar escrevendo sobre sua crônica não paro mais, pois as possibilidades de comentários tb são infinitas.

    Bjos, com carinho

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  4. Maria Socorro Araújo Lopes - RN10:12 AM

    Diante de tantas possibilidades o bom é que temos sempre o livre arbítrio de escolher o caminho a seguir , já que somos nós que escrevemos a nossa história e somos frutos de nossas escolhas .

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  5. Jorge Cortás Sader Filho10:14 AM

    Muito interessante seu conto - eu o classifico assim.
    Comentário feito, Marcelo.
    Visite http://aduraregradojogo24x7.blogspot.com

    Aquele abraço.
    Jorge

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  6. Este comentário foi removido pelo autor.

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  7. Foi atraxés do Reflexos Espelhando e Espalhando que cheguei aqui, e tinha lido seu texto lá. Realmente é infinitamente claras a possibilidade das reflexões contina. Foi necessária ler parar refletir e entender com clareza pera guardar como lição.
    Sigo-te e colokei seu link em meu espaço. Gosto de escritos como os seus inteligentes.
    Abraço

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  8. Excelente! Me fez ter vontade de deitar embaixo da copa de alguma árvore pra pensar nas minhas possibilidades, que ainda podem ser tantas mesmo já tendo ocorrido muitas, e querendo muito que algo aconteça!

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  9. Marco Antonio Rossi12:54 PM

    CARO AMIGO MARCELO
    NAO TEM COMO UMA REDE APOS O ALMOÇO...
    ATE VIAJAR PARA A LUA JA PENSAMOS.....
    MAS, COM TODOS OS PENSAMENTOS, NADA MELHOR QUE UMA BOA SONECA........ACORDAR E TOMAR UM CAFEZINHO DA TARDE COM BOLO DE FUBA.
    ABRAÇO
    ROSSI

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  10. Ah, as nossas escolhas...
    E SE... nunca saberemos...

    Que delícia de texto. Adorei!
    Abraço

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  11. Querido Marcelo
    Pois é, talvez seja preciso entender bem sobre as dimensões da linha da vida e do tempo, compreendendo sobre as leis da física e os mistérios místicos...destino seria uma ordem programada do tempo?...o acaso?...a escolha?...enfim, seu texto está deliciosamente instigante...
    Beijos,
    Genny

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  12. Salvio Cucolo1:01 PM

    Para variar bem interessante e faz -nos pensar em quantas ramificações temos se apresentando dia a dia em nossas vidas

    Parabéns
    Salvio

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  13. Mirze Souza1:04 PM

    Marcelo!

    Hoje consegui postar no blog do jornal. Nunca o tinha feito, pois ao término, não conseguia enviar. Bobagens do "m" que precisava ser maiúsculo.!

    Marco Fraga, que fique longe de mim. Se eu me deparasse com uma árvore como a ilustrada, entraria em pânico.

    As possibilidades que a vida em sua forma de árvore nos propõe, nem sempre vem no tempo que estamos dispostos a seguir. E/ou a dúvida entre o certo e o errado nos absorve e nossa vista embaça. Há ainda "os outros" e suas opiniões.

    São tantas as interferências que chamo de tempero, os inusitados rumos que tomamos querendo, ou sem querer. Aí alguns chamam de "destino", outros acham que nossas escolhas não foram certas e a culpa recai sobre nós....enfim a vida segue e o tempo, senhor da razão, nos pressiona para agirmos.

    Estar no lugar certo, com a pessoa certa e na hora certa, é para 0,001% das pessoas. Ainda nos deparamos com o fator "sorte", que na hora não identificamos. Só muito tempo depois vem a famosa "E SE....", mas aí já é tarde.

    Excelente texto, com uma gama de possibilidades para refletir.

    Parabéns, Marcelo!

    Um forte abraço!

    Mirze

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  14. Rose Dias - Taquara RS1:20 PM

    Legal sua crônica!!! E o que seria a 6a possibilidade? Posso arriscar?!! ... Escrevendo, soletrando, divagando com as palavras, em um hospício, saboriando um sorvete de chocolate ... rsrrsrrsrrsrrsrsrs....

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  15. Andréia - Lisboa1:20 PM

    GOSTEI MARCELO! :)

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  16. Fatima Pombo1:21 PM

    possibilidade seis, ser assessor da dilma roussef.....

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  17. Dade Amorim - RJ1:22 PM

    Às vezes penso (pensamos todos) nessas alternativas. Nunca porém com tantas minúcias como esse cara na sesta da ficção. Talvez valha a pena ir assim, mais longe. O chato é que, caso a gente se arrependa do que não fez, não tem mais jeito. Abraço pra você.

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  18. Evelyne Furtado1:22 PM

    Em cada possibilidade uma ramificação de seu talento, Marcelo! Adorei passear por todas elas, mas amei a rede e o flamboyant misturando-se ao sono. Beijos e bom fim de semana, amigo.

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  19. Jorge1:23 PM

    Interessante. Nuca havia lido texto como esse, que me parece um conto. Muito original. conduz a série de hipóteses bem interessantes. Sonhoas à sombra de um flamboyant. Abracos, Marcelo.

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  20. Rita Lavoyer1:24 PM

    Pelamordedeus! Possibilidade 6: Corte a corda da rede desse peão, deixe-o estatalar as costas no chão e o coloque numa condição na possibilidade 7- responda você e gere um círculo vicioso de indecisões. Abraços circulares a todos que por aqui virão dar suas sugestões. O que você sugere como possibilidade no ítem 7, amigo leitor?

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  21. Maria do Socorro Araújo Lopes1:24 PM

    Diante de tantas possibilidades o bom é que temos sempre o livre arbítrio de escolher o caminho a seguir , já que somos nós que escrevemos a nossa história e somos frutos de nossas escolhas .

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  22. Mar Aravél2:17 PM

    Texto sugestivo para tantas leituras

    Muito bom

    Apareça

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  23. Grande Marcelo, seu talento poderia elencar mais 1001 possibilidades. Seu talento elencou 5 delas, que valem pelas 1001. parabéns pela produção cada vez melhor, o ibope crescente aqui nos comentários sinaliza um limite cósmico...
    abs,

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  24. Marcelo. De vez em quando eu surto, e fico pensando nas prováveis ramificações...e claro, escrevo sobre elas..mas palavras escritas tem muito poder...o bom de tudo isso, creio, é nossa capacidade de renovar sonhos, ousar sempre mais...bj grande!

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  25. Seguimos um caminho em nossa vida e por vezes pensamos se tal caminho fora o mais adequado.E assim como seu personagem, ficamos refletindo sobre o que teria acontecido se tivéssemos escolhido caminhos/possibilidades diferentes. Parabéns pelo texto, o seu personagem é um ser particularizado e universalizado ao mesmo tempo.

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  26. ... e daqui pra frente?? Quantos outros raminhos até que a árvore se esgote??

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  27. Sônia Silvino1:34 AM

    Texto adorável de se ler! Gosto muito do teu estilo, amigo! Bjs, muitos

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  28. Amei seu texto. Muito inteligente. Legal isso de tentar imaginar prováveis situações...
    As possibilidades, com certeza, seriam infinitas...
    Parabéns por seu talento e pela visitasem meu tímido espaço.
    Lu
    www.textos-e-reflexoes.blogspot.com

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  29. Celia Andrade Alencar8:11 AM

    Marcelo, Miais uma vez,parabéns! Vc me fez divagar..... Pena que não tinha a possibilidade 6.... Mto bom pr se pensar na vida.... Abraços.

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  30. Maria Teresa Fornaciri8:12 AM

    O flamboyant deve estar florido, afinal, é tempo de Primavera. E flamboyant florido enfeitiça e faz sonhar. Quem não pensa em pelo menos cinco alternativas? E pensar assim, num estado de semidormência no meio das flores, é privilégio... Adorei o texto. Abraços

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  31. Lídia Maria de Melo4:27 PM

    Gosto muito do que você escreve.

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  32. Ou Possibilidade 6: às 12:45pm olhando feito bobo para a copa de um flamboyant mesmo! rsr

    massa o texto!
    A propósito, o que estaríamos pensando se não estivéssemos pensando no que estamos pensando...?

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  33. Paulo Carlini4:51 PM

    Oi Marcelo, que pena, vc parou na quinta! Eu continuaria lendo-as até a centésima se vc as tivesse escrito. Genial, Marcelo.

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  34. O grande barato da vida é poder reinventar, criar uma nova possibilidade sempre, sem o vício do ter_que_ser. É resistir ao apelo da zona de conforto, que nos reduz ao e_se? nostálgico...
    bela crônica,
    abraços
    PS: Vai lá no "Revolta Ortográfica"

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  35. Marcelo, se você elencasse mil possibilidades, eu te juro que chegaria à última linha. Sensacional!!!
    A vida é repleta de possibilidades... Ainda bem, não é?
    Deixo um Bravoooooo!!!!!! e um beijo pra você, amigo escritor.

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  36. Mara Narciso8:13 AM

    Mais uma vez sou obrigada a admitir que somos os maestros dos nossos concertos vitais. Por muito pouco, damos uma girada monumental e mudamos a nossa e a vida do outro. Talvez um texto não mude a nossa vida, como o esbarrão tão bem colocado, mas invade a nossa vida de alegrias e reflexões. De um texto seu, não saímos incólumes. Muito bem, Marcelo.

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