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Mostrando postagens de Maio, 2011

NÃO MAIS QUE DOIS MINUTOS

ILUSTRAÇÃO: THIAGO CAYRES



Caros encarnados iludidos, só tenho dois minutinhos para permanecer neste plano atrasado de vocês e transmitir uma ou outra notícia que dê rumo e alento à crescente legião de humanos sem fé. Por isso falarei o que for lembrando e que seja de relevância, no escasso tempo que me é permitido.

Chico Xavier exerce função contrária à que se dedicava quando estava no horrendo planetinha de vocês, ou seja, psicografa os pensamentos e lamúrias dos vivos dirigidos aos que já foram dessa pra melhor.

Hitler serve uma reconfortante canja diária a todas as vítimas do holocausto (são mais de cinco milhões de refeições a cada 24 horas, o que transformou o seu sono eterno em insônia eterna). Além disso, o dito cujo sofre de LER, devido ao incessante movimento da mão direita levando a colher do prato à boca dos ex-prisioneiros. Por compreensível falta de tempo, o monstro nazista não é frequentador assíduo das barbearias celestes, e seu célebre bigodinho hoje rivaliza com o de Nie…

LAMENTAÇÕES DE UM PÉ DE ALFACE

Parem, reflitam e vejam se tenho ou não tenho razão. É vergonhosamente lamentável a forma com que nos arrancam de nossa terra, onde a tanto custo fincamos nossas raízes e deveríamos viver felizes para sempre. Quem nos remove de nosso solo é tão assassino quanto os pecuaristas e açougueiros, que tanta indignação e repulsa despertam na sociedade civilizada pelas atrocidades cometidas nos matadouros. ONGs e associações de defesa dos animais protestam – e com toda razão – contra o confinamento de bois, galinhas e porcos. Mas e quanto a nós? Alguém se compadece ao saber o quanto sofremos, espremidos, nos caixotes da Ceasa?

Somos seres vivos, queremos e devemos ser tratados como filhos de Deus, e reivindicamos igual tratamento dispensado aos mamíferos e galináceos. Está cientificamente provado que ao som de Bach, Mozart e Beethoven os vegetais se desenvolvem com maior força e viço, o que só demonstra que constituímos formas inteligentes e sensíveis de vida. Somos muito mais delicados e sutis…

BROTHERS

- Não há mais nada a ser feito. Já tentamos todos os recursos imagináveis. Esgotamos as possibilidades de um acordo amigável e na forma da lei. Eu estou jogando a toalha, sinceramente. Minha última esperança era aquele suposto álibi, que já não vale mais nada. Investiguei e descobri que o cara está na Espanha, o porteiro não viu entrar ninguém estranho no seu prédio aquela noite e numa improvável acareação vai ficar a sua palavra contra a dele.
- Você não pode desistir agora, nem a pau que você vai me deixar na mão. Não nessa altura do campeonato. Eu te conheço melhor que você mesmo, e sei que não pegaria a causa se não tivesse certeza de ganhar de cara, em primeira instância. Se o problema for dinheiro, vamos resolver isso agora. Diga quanto a mais.
- Se me conhecesse mesmo, saberia como me ofende falando isso. Como disse, quero equacionar tudo como manda o figurino. E isso inclui o meu modus operandi nessa pendenga. Aliás, é bom deixar claro que eu só me meti nesse embrulho pela nossa…

FAZENDO JUSTIÇA A IGNÁCIO ESCORBETA

Existem vultos injustamente esquecidos pela história, não obstante sua farta contribuição ao progresso da humanidade e ao bem-estar social. Dessa malfadada classe faz parte Ignácio Escorbeta, inventor da serpentina carnavalesca e do prendedor de roupas.

A serpentina foi concebida por Ignácio na segunda metade do século 19, a quatro mãos com outro Escorbeta, um primo residente em Mossoró. Desenvolvido o protótipo, de 75 metros de comprimento por 6 cm de largura, Ignácio arregimentou a mulher, os filhos e vizinhos e forjou uma folia doméstica, sem música alguma para animar. Enquanto lançava os rolos da recém-nascida invenção sobre os saltitantes convivas, observou que em 100% dos casos os mesmos não se desenrolavam, sendo arremessados intactos sobre as cabeças das vítimas.

Escorbeta atribuiu o fiasco à excessiva dimensão dos "rolinhos", que mais pareciam bobinas. Perseverante, voltou com ânimo redobrado ao laboratório.
Após meses de pesquisas e cálculos de resistência, Ignácio fi…