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HAPPY FAMILY





A casa perfeita da família feliz recebia, de dois em dois anos, uma demão de tinta na parte externa e nos madeiramentos. A cada seis meses, dedetização e limpeza da caixa d’água. De 45 em 45 dias, o jardineiro para aparar a grama. Diariamente, a perua escolar e suas duas buzinadinhas regulamentares para buscar filhinho e filhinha.



Havia pichações por todo o bairro, menos no imenso muro caiado da casa feliz. Nem sinal de sujeira de pomba, fuligem de queimada ou formigueiro. Asséptica e harmônica em suas formas, a casa feliz era quase música, uma figura etérea em meio à feiúra do quarteirão. Tinha chaminé, cerquinha, floreiras nas janelas e o caminhozinho sinuoso que saía da porta em direção à rua.


Como de hábito, após dar lustro à coleção de miniaturas papai colocava os planos familiares em planilhas do Excel. Ali ficava horas com seus cálculos e projeções. Mamãe evocava a proteção divina em preces e cânticos. Depois, recolhia as roupas do varal com altivez de matriarca honesta, realizada por dar conta do seu fardo. No armário, as camisas polo de filhinho eram empilhadas por cores, em nuances que iam do vermelho vivo ao bege claro. As pretas e as brancas ficavam em gavetas separadas. Papai mantinha a caixa de ferramentas providencialmente organizada, com um sortido estoque de brocas e buchas. Sobre o rack, o controle do som, o controle do vídeo e o controle da vida ao alcance da mão. No lavabo e nos banheiros as toalhas eram rosa, com monogramas bordados.


As fotos da família feliz eram acondicionadas em compartimentos, de acordo com o tipo de comemoração: casamento, batizados, formaturas, aniversários, natais e férias. Ao lado da caixa de retratos, canhotos de talões de cheque acumulados desde 1981, recibos de contas pagas, cópias de declarações de imposto de renda, boletins escolares.


Era com nítido orgulho que filhinho se projetava alistando-se aos 18. Filhinha, por sua vez, gastava folhas e mais folhas de papel vegetal a desenhar grinaldas e buquês de noiva. Na casa perfeita, ao romper da aurora, a família fazia seu desjejum com farinha láctea, mel e mamão papaia. Verduras hidropônicas e legumes sem agrotóxicos faziam as delícias do almoço e do jantar. Mais ou menos por essa época, filhinha foi debutante e filhinho escoteiro.


A felicidade, ali, se alastrava como fogo em mato seco. Vizinho nenhum jamais ouviu um palavrão saído de dentro daquela casa. Nem um “cala a boca”, um “anda logo”, um “caramba” ou coisa assim. O carro estava sempre limpo e a mecânica em ótimo estado. Todas as revisões feitas nas quilometragens e prazos recomendados pelo fabricante. Dizem as más línguas que um dia, em outubro de 1993, papai esqueceu o guarda-chuva em casa. Mas um boy da firma logo apareceu para buscar.


Por volta das três – com margem de tolerância de cinco minutos, para mais ou para menos, filhinha sentava-se ao piano e interpretava com doçura e sentimento uma peça de Clementi. Não constam registros de estouros de champanhe, gritos de gol ou fumaça de churrasco vindos da casa perfeita da família feliz. Eram três, e não mais que três, as ocasiões semanais em que todos saíam juntos: para o culto dominical, para a visita aos pais de mamãe e para divertirem-se a valer vendo os aviões pousando no aeroporto.


No aconchego daquelas quatro paredes, os narizes eram assoados silenciosamente, o piso era encerado com regularidade monástica, os travesseiros exalavam a alfazema mais pura desse mundo. As contas nunca eram pagas na data de vencimento - no mais tardar dois dias antes. Os vestidos de mamãe eram todos 4 dedos abaixo do joelho. Os cachimbos de papai eram escovados e acondicionados em saquinhos de veludo. Filhinho não sabia o que era cotovelo ralado. Filhinha não sabia o que era amasso no portão. Mamãe era professora mas não exercia a profissão. A família feliz sabia que roupa suja se lava em casa, mas nunca havia roupa suja para se lavar. Papai e mamãe não se esqueciam e se saudavam mutuamente no aniversario de noivado. Com menos entusiasmo que no aniversário de casamento e mais calorosamente que no aniversário de namoro. Por sua conduta exemplar, papai foi várias vezes convocado a compor júri no fórum. Era sócio benemérito do conselho para o bem-estar comunitário. Mamãe colaborava com as obras do berço.


Um belo dia papai reuniu a família feliz, pegou os 20 metros de pisca-pisca natalino guardados numa gaveta da edícula, dividiu-os em 4 partes de 5 metros, distribuiu uma parte para cada um. Foram os quatro encontrados na sala de estar, os corpos dispostos de maneira simétrica e em ordem cronológica decrescente.




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Comentários

  1. Jota Effe Esse2:50 AM

    Marcelo, esse desfecho só aconteceu porque a casa perfeita não era assim tão perfeita, pois não era feita de taipa, como se pode ver nos escritos de Ana Miranda. Um abração.

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  2. Marcelo, você deixa bem claro que "comercial de margarina"... que mostra "família feliz"... é uma montagem pobremente marqueteira, e que toda essa "regra de felicidade" não existe, se imposta! Ou construímo-la ou desmorona-se! Perfeita lição de casa para o final de semana!
    Abraço, Célia.

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  3. Parabéns pela idéia, Marcelo!
    Muito cinematográfico. Felicidade e tragédia ao mesmo tempo. Prefiro a primeira parte, onde a vida é bela.
    Abraço!

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  4. Fico imaginando como seria uma discussão, nesse cenário desinfetado com álcool gel e perfumado com sabonete de glicerina... claro, não dá pra imaginar... você esqueceu de falar das propagandas de margarina e creme dental que essa família sempre é convidada para participar, como protagonistas perfeitos... me lembram os álbuns de fotos do defunto orkut e do promissor (?) facebook... bj, querido!

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  5. Marcelo, nas suas irreparáveis linhas, estaria por acaso retratando uma família sueca? É o que parece pelo cinza do modo de vida. abs

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  6. Paulo Miguel Carlini11:52 AM

    Oi Marcelo, gostei demais desse seu texto. Inicialmente pensei em qualificá-lo como um conto de humor negro, mas, refletindo melhor, cheguei à conclusão que a mensagem subjacente nele contida é a de que os problemas da vida familiar, seus erros e acertos, a falta de sintonia entre seus membros, etc., sempre existem (quem diz que não tem problema ou mente ou não quer contar) e sua superação promove até o crescimento do grupo. São o que podemos chamar de "o tempero da vida". A falta desse tempero foi o que acarretou aquele "final feliz" da sua crônica. Tô certo? Já o enviei para mais de cem correspondentes meus. Um abraço. Paulo Carlini

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  7. Incrível, Marcelo, fui lendo e ficando aflita.Tanta perfeição não existe e se existir acabará dessa maneira e com isso chego a conclusão que a felicidade perfeita é insuportável.
    Belo e interessante texto. Abçs.

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  8. Claudete Amaral Bueno3:13 PM

    Ai, Marcelo!
    Que final trágico para uma coisa tão linda e perfeita!!!!!!!!!
    Eu sou contra! Meu final é feliz!!!!!!!!rssssssss
    Abraços
    Claudete

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  9. Arlete Gudole Lopes3:15 PM

    Marcelo, oi!

    Iniciei a ler o texto, já percebendo que teria um final inusitado. Foste além. O desfecho surpreendente, faz de ti um cronista de primeiríssima linha. Cada texto teu é uma aula de criatividade que cativa o leitor, aguça a imaginaçãio e deixa, em quem lê os teus escritos, a certeza de que a próxima leitura será ainda mais prazerosa.
    Parabéns.
    Um forte abraço.

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  10. Mirze Souza3:16 PM

    SENSACIONAL!

    Marcelo!

    Deveras interessante é tanta felicidade e paz. O único muro não pichado, A organização, como se humanos não fossem.Onde ficava o lugar para receber amigos. Essas crianças não brincavam na rua nem recebiam aqueles que nos critica, para o bem e para o mal.A convivência com o exterior não havia quase. Nem um palavrão. Deve ser horrível a tal da felicidade. Não consigo sequer imaginar o porquê ,mas não pode estar nos parâmetros da normalidade.

    O final trágico acabou com todos. Certamente não havia câmeras na casa. O pai devia sr louco e homicida.

    Deve existir isto, mas prefiro o meio termo.

    Parabéns!

    Beijos

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  11. Essa não existiu nem na Bíblia.
    Pude ver cada cena descrita.
    Excelente texto pedindo para que todos nós sejamos arteiros.
    Grande abraço, moço inteligente.
    Rita Lavoyer

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  12. Marcelo, você é d+. Quando comecei a me deliciar com sua genial crônica me apressei a ver se havia algum contato. Tava doida pra contratar os serviços da "happy family".
    Mas quando fui percebendo os detalhes...
    Uhuhu!!! Minha família é norrrrmal. Esbraveja, bota a boca no trombone quando umas malas sem alça e sem rodinha tentam pegar no pé da gente, e por aí vai a felicidade dos que são como são por serem assim.:) desculpe o final filosófico:).

    Posso pegar pra mim ? Já peguei. Mas com o carimbo dos direitos autorais.Sempre.

    Parabéns, Marcelo. Você é GENIAL!
    Um beijo pra você.

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  13. Existia muita roupa suja a ser lavada. Pena!

    Abraço

    Fernando Dezena

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  14. Rafael Paiva Silva7:57 AM

    Marcelão,

    Desta vez você se superou! Ri muito com a história da “família feliz”, me lembrou até de um filme chamado Pleasantville (se não viu, veja porque é muito bom), só que com um final menos trágico… rsrsrs

    Abração e bom final de semana!

    Rafrajola

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  15. Jorge Sader Filho7:58 AM

    É… Eu pensava que esta família exemplar, numa casa perfeita em local paradisíaco, iria terminar com risonhos netos correndo em todas as direções.
    Quebrei a cara, o autor estragou tudo!
    Grande tacada, Marcelo.
    Abraço

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  16. Zezinha Lins8:00 AM

    Olá, Marcelo.
    Não deveria, mas ainda me surpreendo com seus textos.
    Depois de tanta perfeição esse final trágico só poderia ser assim: o fio do pisca- pisca natalino deu cabo da família feliz. Quantas famílias vivem de aparências, marido e mulher moram na mesma casa mas não se tocam. é preciso fazer bonito perante a sociedade.
    Muito bom, Marcelo. Que todos aqueles que vivem de aparências causem uma revolução na sua vida evitando assim o fio do pisca-pisca natalino.
    Beijos!

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  17. Ufa, fiquei aliviada com o final. Já estava pensando que a casa da família feliz ficasse em "Nosso Lar"!

    bjão, adorei o texto!

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  18. Claudete Amaral Bueno1:21 PM

    Oi
    S/mensagem desta semana deixou uma pergunta s/ resposta.
    E, como NUNCA tenho a possibilidade de tirar as dúvidas c/ os escritores, aproveito a chance.
    O que estava em s/ cabeça ao dar aquele fim trágico ao conto?
    Vc acha que mta perfeição é insuportável? Claro que o que vc escreveu...é meio utopia, infelizmente, né?
    Mas.....se a perfeição é uma chatice, como aguentar o CÉU???????
    Descupe o questionamento..........rssssssss
    Um abraço
    Claudete

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  19. Risomar Fassanaro1:21 PM

    Que DEMAIS, Marcelo! A gente lê de um fôlego só.
    De início comecei comparando com minha família: gente falando alto,
    contas pagas com juros porque passaram do dia, casa precisando sempre
    de uma pintura nova...
    Depois pensei que ele iria trair a mulher,
    reunir a família e avisar que iria embora com outra por quem se apaixonara...rs
    Que final!!! Adorei. Lembrou-me a "bailarina" do Chico Buarque.
    Muito grata
    Riso

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  20. Celi Estrada1:21 PM

    ETA família feliz!... Pertence a este mundo?
    Quero conhecer a fórmula...
    Abraços,

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  21. Oi,até para morrer eles foram perfeitos.Será que deixaram o dinheiro para o enterro?A vida deles era muito chata.Machado!Ops,Marcelo,você é muito bom!Escritor.

    Abraços,Lúcia

    30/10/011

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  22. Miriam de Sales Oliveira3:42 PM

    Puxa,pirei.O desfecho foi demais,nem pensei nisso.Estava me preparando para perguntar se eles,ao menos,soltavam pums ,qdo,lendo o desfecho mudei de ideia p/ n/ conspurcar o texto.
    Conheci uma família parecida,em SSA,só q/ no dia do casamento da filha e formatura do filho,após a festa ,o pai de família perfeito,pirou,arrumou a mala e sumiu.
    Grande texto!Grande Marcelo! bjks

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  23. Sandra Nogueira3:42 PM

    bom demais, publiquei no mural do facebook. Abração, Marcelo.

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  24. Valéria Gomes7:15 AM

    Pôxa vida!!! Que família feliz mais infeliz!!! Muito bom, parabéns!!!

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  25. Rita de Amorim7:16 AM

    Caramba!!
    Muito real. A (in)felicidade está nos detalhes. Gostei muito, aliás gosto muito se soletrá-lo(rsrsrsrssr). parabéns como sempre. Abçs.

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  26. Marco Antonio Rossi8:00 AM

    Meu amigo, depois do TUFÃO e seus estragos, uma história perfeita de perfeição até o fim.................................
    abraço
    Rossi

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  27. Marcelo, gostei muito da história da família feliz. O mais interessante são os detalhes. Beijos e ótima semana.

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  28. José Carlos Carneiro3:43 PM

    Belo tratamento ao tema, com descrição - que eu chamaria de pedagógica - de uma família que pode servir de exemplo. Não entendi o final. Mas quem disse que tudo é para ser entendido? E o desafio à imaginação? Gol de letra e de placa, rapaz!

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  29. Nubia3:46 PM

    Quem atingiu a perfeição já deu sua contribuição ao mundo.

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  30. Mara Narciso7:06 AM

    Traços escondidos sob o manto da organização podem ser interessantes, no entanto, o transtorno obsessivo compulsivo tem seus rituais e seus escravos. Mas você, Marcelo, acabou encontrando liberdade para nós e as borboletas.

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  31. Gina Soares7:09 AM

    Famílias felizes e pessoas 100% felizes todos sabemos não existir.
    Só poderia ter esse final. Na verdade, não havia vida naquela casa. Havia pessoas ocupando um espaço pretensamente perfeito!
    Mais um excelente texto, com um final mais que perfeito!!!
    bjs

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  32. Que medo!
    A simetria me fez lembrar do personagem que bate na mulher no filme Dormindo com o Inimigo (marido da personagem da Júlia Roberts).

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