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26 Novembro, 2011
SUBTRAÍDO DA MULTIPLICAÇÃO
Imagem: Thiago Cayres
Esteve a bem dizer na multiplicação dos pães e dos peixes, aquela dos evangelhos, mas nem por isso saiu com a fome morta. Chegou segundos depois, e do milagre do Messias viu farelos e mais nada. Acabaram com tudo, pensou, comeram a não poder mais e nem um bocado restou ao meu estômago nas costas. Quis mesmo o filho do Criador que fosse assim? E se sim, por que comigo e não com outro? Clamava alento e pena da multidão saciada, que não o via, que já na sesta se estirava digerindo seu fastio, que não conhecia e nem soubera esperar por ele - um parente distante de Zebedeu. Era aquele que teve o azar de chegar depois da fartura que o Salvador fez servir. Assim refletia, quando sentiu a pontada no pé - espinha de peixe esquecida pelos famintos da hora. Santo sou eu que não como, e que do peixe só levo a dor deste machucado – desabafou, erguendo as mãos para o céu. E seguiu caminhando por meses, devagar e meio manco, até que encontrou as botas que Judas havia perdido.
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21 comentários:
Não seria ele o "trabalhador da última hora"? Ou aquele último que chega para ser o primeiro?
Você me deixou pensando...pensando...
Muito bom Marcelo, abçs
Melhor seguir faminto do que engasgado... risos... beijo, querido!
@#x@#*//... Pergunto: o que teria ele xingado? [risos]...
Olhe, Marcelo... quando chega o sábado já espero suas "fanfarrices literárias" que amenizam toda uma semana de minhocas mentais!! Esse perdeu os peixes, os pães, se tivesse na festa do casamento, perderia na certa o vinho... enfim, a dignidade a qual nenhum pastor conseguiria reunir suas ovelhas... por mais dóceis ou desgarradas fossem! Andanças liturgícas!
Abração da Célia.
Marcelo,
Você é surpreendente, sempre há algo de bom para se refletir.
Bom fim de semana.
otimo final de semana.
espero que quando ele encontrar o primeiro estepe de dedão do judas, consiga tambem um naco de pão que caiu de alguma sacola dos comensais do evento......
Abraço
Rossi
Os temas bíblicos são deveras interessantes, mas nada como inserir neles umas pitadas de outra ótica para nos fazer rir.
Amanhã informo o que saiu na Gazeta de sábado.
Amanhã, aliás, é dia de pega pra capar no campeonato brasileiro. Sou o corintiano mais fajuto da paróquia. Se o time não merece, torço contra. E se ganha, sinto-me como quem alcançou uma boa realização e acabou não vendo mais qualquer graça. A insatisfação do ser humano às vezes me encanta, às vezes me entedia.
Um abraço e bom domingo.
Fantástico!
É isso que dar ser parente. Nada dá certo. Zebedeu, acompanhou o mestre, mas o parente deve ter aproveitado para dormir e acordar tarde.
Um final "chave de ouro", inesperado, mas repito sempre que o Mestre amava tanto Judas que a ele concedeu a missão de o trair. Ele era fiel.
Estranho, não é?
Beijão amigo!
Parabéns!
Mirze
Pense num escritor criativo!! Pensou?? Pense mais? Pensou? Pois ele é muito mais criativo do que vc pensou.
Como sempre, me divirto bastante com seus textos, Marcelo. Obrigada, meu amigo.
Beijo!
Sua imaginação, como sempre, espetacular......rssssssss
Só que, nas duas multiplicações, sobraram muitos cestos de pães.......Ele ficou c/ fome...atoa! rssssssssss
Um abraço....boa semana! Claudete
Espinha de peixe, é? Perigosa, perigosa.
Não tanto como o nonsense criativo – bota criativo nisto! – do Marcelo.
Pode? Pode sim, ele acaba de provar!
Abraço,
Jorge
Muito bom! Abraço bom domingo!
Oi,ele encontrou uma bota,então,vai proteger o outro pé.O Criador sempre ajuda a quem sempre madruga,mas esse dormiu demais só porque é parente do Zebedeu.Esse Zé é aquele que cobrava imposto?
Abraços,Lúcia
27/11/011
Vc é demais,garoto.Vou te dar o Nobel. bjks
Uma coisa que não sei é ser sucinto, como se diz popularmente, curto e grosso. E tenho uma inveja danada de quem consegue fazê-lo. A crônica mencionada é um bom exemplo disso: diz mais que mil palavras.
Caracas! Pensei que fosse dar aquelas gargalhadas do começo ao fim, e não é que este me pôs a refletir sobre a função das botas do Judas? Menino, tudo existe realmente, desmentindo os mitos. Se alguém disser a partir de agora que está lá... onde Judas perdeu as botas, eu vou entender e ajudar as pessoas a entenderem também.
Esse lugar está no blog do Marcelo.
"Os Caçadores de Mitos" vão perder o empego na TV.
Grande abraço, Marcelo.
Texto rico em reflexão. Beijos e ótima semana;
Atrasou-se, não foi? Para uma ceia que não houve, com os pães e peixes que conhecia. No mundo dos santos é a esperança que alimenta, e esse alimento todos que o bem conhecem sabem que se auto-multiplica – quanto mais se espera mais se tem a esperar. Oh! incrédulo, que nem pensaste que foste alimentado com a abstinência que te foi proporcionada e nem percebeste tua alma saciada. Mas ainda é tempo para aproveitar a “lição da espinha-do-peixe”. Há quem escreve certo por linhas tortas, tal qual Marcelo. Imagine o padecimento que não tiveste caso a espinha se cravasse em tua garganta. Agradeça o bem que te fizeram e arrependa-te dos impropérios proferidos. Quem não sabe rezar ofende a Deus. Reza, irmão, que na próxima tudo será muito diferente.
Brilhante!!! Boa semana para ti!!!
Zebedeu feito parente do Pedro Pedreiro. Brilhante, Marcelo, brilhante (pra variar). Grande abraço. Paz e bem.
O final pegou o leitor de calças curtas, pois funcionou como uma queda de avião.
Adoro esse teu jeito irreverente de escrever. Baseada nesse teu conto, escrevi “Para não dizer que não falei do tempo”. Portanto, tu foste o “meu muso” inspirador. Aparece no meu blog (www.palavrasdearlete.bogspot.com), amanhã e poderás ler o texto em que o teu “Subtraído da multidão” serviu como inspiração.
Abraços.
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