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13 Janeiro, 2012
ABBEY ROAD REMIXADO
- Ok, boys. Já que a ideia é mesmo essa e parece que não há jeito de vocês voltarem atrás com essa tolice, tenho algumas sugestões para deixar o resultado final um pouco menos ruim. Pra começo de conversa, sugiro que vocês quatro se virem pra câmera dando tchauzinho. Sei lá, penso que assim a coisa ficará mais amistosa e interativa do que todo mundo sério e alinhado, olhando pra frente e atravessando a rua.
- Mas afinal de contas, o que você tem em mente é uma capa de disco ou um cartaz de circo? Só falta você sugerir que o Ringo fique fazendo chifrinho no George na hora do clique...
- Calma, Paul. Eu sei que a ideia é sua, mas vocês contrataram um fotógrafo profissional e eu me sinto na obrigação de orientá-los pra que o resultado fique realmente bom e funcione comercialmente. Uma coisa é certa, rapazes: nenhuma capa de disco entra pra história com quatro sujeitos atravessando uma faixa de pedestres como se fossem uns anônimos e inexpressivos súditos da rainha. Caramba, vocês são os Beatles!!!
- Veja bem, por mim você e Paul decidem o que acharem melhor nessa peleja capitalista de vender mais ou menos discos. A única coisa que peço é que a Yoko atravesse a faixa ao meu lado. Caso contrário, não tem negociação, vamos embora agora mesmo. Vocês sabem que não desgrudo um minuto dela, e isso inclui travessias de rua, partidas de rugby e até exames de próstata.
- John, isso é efeito da maconha, do LSD ou do sol na cabeça? Estamos falando de um disco dos Beatles, e não de Yoko e sua banda. Compreende?
- Espera aí, gente. Se este pobre baterista pode dar um palpite, recomendo que continuemos a discussão num pub ou algo assim. O trânsito está ficando engarrafado e daqui a pouco começam a buzinar. A intenção era perder no máximo vinte minutos com esta merda de foto. Não temos o dia todo e precisamos gravar mais um take de “Come Together” ainda hoje, esqueceram?
- Eu insisto: tá faltando alguma coisa bombástica, arrebatadora, que dê uma sacudida nessa capa. Ou então, sei lá, um toque de humor britânico, mesmo que bem sutil. Por exemplo, um de vocês é o guarda de trânsito, orientando os outros três na travessia. Heim, que tal? Aí sim vai ficar bacana.
- Tudo bem, mas e a Yoko?
- Sugiro que o guarda se distraia e um carro passe por cima dela.
- Por esta gracinha eu poderia te enfiar a mão na cara, Paul. Mas não vou fazer isso porque, independente de como fique essa maldita capa, no final das contas vão achar que o morto é você, e não Yoko. Pode apostar. Babacas do mundo todo vão esquadrinhar cada centímetro da foto, procurando pistas que confirmem a sua morte. O que mais lamento é que ela não passe de um boato.
- Gente, por favor, vamos dar uma trégua na troca de afagos. Daqui a pouco começa a juntar gente pra pedir autógrafos, a imprensa aparece e aí a foto já era.
- Pensando bem, acho que o Ringo está certo. Vamos voltar para o estúdio, terminar “Come Together” e esquecer essa história de capa de disco na faixa de segurança. Temos mais um tempo pra pensar numa solução melhor.
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30 comentários:
Vou te revellar o que para muitos e inclusive para você pode parecer uma heresia: sempre fui muito mais admirador de Os incríveis e do Renato e seus bonézinhos do que dos Beatles. No plano internacional , The Mamas and Papas, muito do Elvis, curti muito Bill Halley.
Mas o texto, como sempre, excelente.
É isso ai Marcelo, “recorar é viver”, mesmo que seja uma situação hipotética. Abrçs♥
oi Marcelo, não é que você decifrou mesmo o rico diálogo dos meninos? Acho que os caras da grande imprensa tinham que ler seus textos para se inspirar. Obrigada, meu amigo, salvou meu sábado chuvoso.
abração
mensagemE afinal, a capa saiu......como prevista inicialmente...e foi sucesso.
Aliás, seria..... mesmo que todos estivessem plantando bananeira no meio da rua....com Yoko ...ou sem Yoko....
Bjs!
Beijos !!!!
Adoro a forma como vc brinca com fatos reais, levando-nos (quase) a crer que sua versão foi a original.
E por mim algum caminhão teria passado por cima da Yoko tbm!
beijos!
Bela crônica, Marcelo. Fico imaginando John, com a cabeça cheia de heroína, querendo a Yoko também ali. Faltou uma implicância com o traje de "coveiro" do George (na onda da morte do Paul), mas isso não tem importância, a crônica está muito boa. Tenho uma foto minha atravessando a famosa faixa, em 2001, e outra na escadinha do estúdio ali perto. Mandei sua crônica para um amigo que, tenho certeza, vai curtir como eu.
Ahahhahaha, adorei, Marcelo!
O lance da Yoko ficou phoda, hehehe!
Gostaria de pedir sua autorização pra reproduzi-lo no meu blog www.beatlebox.blogspot.com com os devidos créditos.
E aproveitando, fui um dos escritores mais lidos no Portal da União Brasileira de Escritores - Seção Goiás no ano de 2011.
Quando puder, dá uma olhada lá nos textos e, claro, aguardo alguns comentários.
Veja lá: http://bit.ly/xxJ6xJ
E o novo texto está aqui: http://bit.ly/yiY4F3
FABraços!
Carlos Edu
Primo,
Caramba, fiquei invejoso, sonho pôr no papel essa letras rimadas que você consegue ordenar, muito, mas muito lindo mesmo, PARABENS!
Ao longo de minha linha de vida, escrevi, crônicas, editoriais para a Gazeta Mercantil, arrumei brigas com ministros, com Pedro Stédile e companhia, mas o que sonhava era exatamente isso que você me mostrou.
Algum dia te mando alguma das coisas que coloquei no papel, perto de você ou da “produção”de sua imaginosa cabeça, um amontoado de letras ajuntadas, que agora tenho até vergonha de te mostrar.
Continue fazendo uso dessa sua “sina”pois poucos, digo sim, poucos conseguem, alinhavar num papel a clareza e a magistral arte de transmitir a quem lê, a performance e o entendimento rápido e sucinto de um texto maravilhoso e gostoso de se participar, isso mesmo, queremos fazer parte daquilo que você derrama numa folha em branco de papel.
Cara, continue a brilhar, com certeza, vou querer sempre ler suas crônica e ensaios.
Um grande abraço
Rudah
Adorei!!!
Olá, Marcelo... não precisamos tamanha distância... Afinal, temos jargões bem semelhantes: ..."Sampa
Caetano Veloso:
Alguma coisa acontece no meu coração
Que só quando cruza a Ipiranga e a avenida São João
É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi
Da dura poesia concreta de tuas esquinas
Da deselegância discreta de tuas meninas"...
E, detalhe, sem as Yokos da vida, apenas com a fabulosa invasão da Tropicália - e sem lenço, sem documento... muitas vezes cruzei a Ipiranga com São João!! Nossos garotos: Caetano Veloso / Gilberto Gil / Os Mutantes / Tom Zé / Jorge Bem / Gal Gosta / Maria Bethânia... fechavam o trânsito!!
Foi uma época ótima! Curti e muito isso tudo! Valeu, amigo!
Abraço, Célia.
Que viagem hipotética ao passado. Hipotética, hilária, mas bem crível entre tantos egos inflados e uma japinha que tinha um gênio do cão. Nossos sábados seriam bem piores não fossem suas linhas sempre primorosas. abs
E eu vou falar o quê sobre isso? Sei que de fato aconteceu porque eu li num blogue de um cara que conta tudo, é por isso que eu sou bem informada a respeito de certas babaquices que se passam ou se passaram nas vidas de muitos babacas. Não adianta aprontar e guardar no armário dos fundos que o cara vai lá, dá uma vasculhada e revela no blogue dele. AGORA,que ele conta a verdade isso é fato. Do mais, não tenho conhecimento, porque quando eu nasci a Carla Perez já tinha feito plástica no nariz.
Sabe, bem que este pode ter sido o verdadeiro diálogo, vocè só nos ocultou a parte em que finalmente concordaram em mostrar para o mundo que faixa de pedestres é pra ser usada por todos, inclusive os que não acham nenhuma graça nelas. Mas… e a Yoko, será que estava do outro incentivando a turma e jogando beijinhos para o seu amado?
Marcelo, adoro seus textos. Bendita criatividade e inteligência! Que Deus te conserve assim, meu amigo!
Bjos!
Marcelo!
Ótimo diálogo, mas agora é tarde., Apesar de querer melhorar a capa e eles terem trocado idéias, decidiram pelo melhor: arrasaram no “como together” e fizeram da Abbey Road um marco.
A Yoko já existia nessa época, como parte in-off do grupo!
Now, I’m not in a jungle, I need to go.
Beijos
Mirze
Olá, Marcelo.
Bloquei meu face book por um tempo, e os meus blogs sumiram, não sei o que houve, estou tentando recuperá-los, portando este endereço e o msn é o único meio que disponho para não perder o contato com os amigos, pessoas a quem tanto admiro como você. Continue enviando suas atualizações, são sempre muito bem vindas.
msn: majolidesousa@hotmail.com
Um abraço!
Lembro-me muito bem quando, assim que foi lançado o disco, exploraram a hipótese de que nas "entrelinhas" de uma das músicas um dos quatro teria morrido. Parece-me que tal se deu muito mais por IBOPE do programa do Helio Ribeiro, já que o grupo estava no auge. Mas a sua remixagem é mais abrangente, ao colocar Yoko no "rolo" e outras tantas. Outro dia assisti na TV uma matéria muito bem feita sobre a famosa faixa de segurança que ilustra a capa do famoso disco, aliás o último deles. O local é um dos mais visitados por turistas, que tentam simular uma foto parecida com a deles atravessando a rua. Entendo como uma inútil tentativa dos fãs, pois eles foram e são inimitáveis; o conjunto que não marcou uma época, mas a eternizou. Sou tão pouco fã deles que até hoje guardo os discos de vinil do quarteto. Ainda que eu aprecie todas as músicas deles (num legítimo inglês e fácil de entender), considero uma das obras-primas deles "Because". Aqui na "terrinha" já ocorreram algumas apresentações de covers deles. Advinha se perdi!
Demais, Marcelo!
Este texto realmente é uma viagem ao passado (lembrei-me de quando comprei o vinil na Av. São João) e sei que quando esteve por lá, "Perdido em Abbey Road", conseguiu captar a atmosfera e o clima do local em que foi realizado este diálogo. Perfeitamente verossímil! Bis!!!
Abraço!
O humor tudo enriquece e nada deixa esquecer, basta o humorista querer. O engraçado é resultar sempre bem levar o humor a sério, apanhando a fantasia a revisitar uma realidade onde regressamos a “um mítico momento” e a coisa está lá… a acontecer! Pronta a estoirar, com uma daquelas máquinas antigas de flash pirotécnico!!! A_braços!!
“O sonho acabou”.
Até pode, mas o tempo ficou marcado.
Como sempre, muito criativo, Marcelo.
Abração,
Jorge
Muito bom!!
demais o texto "ABBEY ROAD REMIXADO" Adorei!!!
Olá Marcelo!
Esta foto me deu um aperto no coração. É que tenho um sonho, o sonho de um tour beatlemaníaco por Londres e lugares especiais por onde eles estiveram. Outro dia, alguém me mandou a reportagem do senhor que apareceu na foto e do dono do fusca branco.
Ainda me lembro quando meu pai chegou com uma fita cassete para o meu novo gravador e toca fitas. Não sabia da verdadeira história por detrás da foto. Hoje você nos esclareceu com grande criatividade que lhe é costumeira. Parece que os escuto do outro lado da rua ... Come together right now over me...
Um beijo!
Excelente, Marcelo...só você mesmo pra imaginar e nos remeter a esta cena. O pior é que pelo que se tem registro, a coisa chegou nesse nível. E passei esse fim de semana ouvindo o disco Let Be, que a Maria Clara adorou, com destaque para Across the Universe. Saudações inglesas.
Sem palavras um super post Marcelo. Que volta ao tempo tu deste.Beatles aqui em casa tem alguns ainda de vinil, Deve ficar como relíquias, eles tem algumas música bem legais. O Paul McCartney pra mim será sempre o melhor.
Você tem uma forma especial e única de fazer seus post. Adoro te ler. Um abraço e ótima semana.
Marcelo, você é imbatível no quesito criatividade! Quando eu crescer, juro que serei assim!!! Abraços!
Até que poderia ter sido assim, mesmo, Marcelo. O bom ficcionista é alguém capaz de imaginar uma coisa como o seu diálogo, e ainda por cima com um toque de humor. Eu também quero atravessar essa faixa.E deixa Yoko Ono em paz, Paul. Eu acreditei que ela era feia, e hoje vejo o tanto de preconceito que havia nessa afirmação. Ela era tão bonita quanto John.
Seus textos são sempre muito bons!
Adorei esse!
abraço
Ótimo!!! Tenha uma boa semana!!!
Que texto adorável! No dia a dia você é assim bem humorado também?
Vi um dia desses um especial sobre os Beatles e a Yoko estava cantando(!!!!). Acabei de conformar vendo aquilo que o amor é realmente cego…
Beijos
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