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SOBRE NOMES







Não é propriamente novidade dizer que sobrenome é indicativo de classe social. Uns poucos exemplos práticos mostram o quanto esta teoria é verdadeira.

Veja o caso de algumas famílias tradicionais paulistanas, que remontam às oligarquias cafeeiras e ao mecenato no século 19 e início do 20: Almeida Prado, Cordeiro de Paiva, Paes de Barros, Freitas Valle, Alcântara. Desafio alguém que me apresente um entregador de pizza com um desses sobrenomes. Sem chance de encontrar um descendente dessa linhagem fazendo compra de mês, tomando ônibus ou engolindo fogo no semáforo.

Tente imaginar um Whitaker favelado. Um Woodward feirante. Um Amstalden sem telefone, sem carro e que não more num sobradão de pelo menos 6 suítes. Aponte um Charboneau sem emprego, que não tenha herdado ou não esteja esperando a homologação da partilha pra veranear em Capri. Matarazzo ou Bulhões prestando concurso para lixeiro, conhece algum?

Desse eu gosto: Johansen. Coisa mais pomposa essa pronúncia: “Iorranssen”. Alguns falam “Iórranssen”. Tanto faz - um cara com esse nome não pode ser pobre, nem remediado. Tem uma altivez que vem de berço e o acompanha até o túmulo. Integra o seleto rol dos sobrenomes “pés-de-cabra”, que vão abrindo portas por onde quer que sejam pronunciados. Mesmo na improvável hipótese de ser um rastaquera, é tratado como dono de capitania hereditária.

Pegue agora um José da Silva. Você já ouviu falar de um José da Silva milionário? O dono da “Casa José Silva” é um que se deu bem, sou obrigado a reconhecer (nem sei se existe essa grife ainda). Mas é exceção entre milhões de homônimos, os daqui e os de terras lusitanas. O mesmo vale pra João de Souza, Maria das Neves, Sebastião Lopes. Donos desses nomes são geralmente fadados aos escalões subalternos, uma espécie de baixo clero com ascensão quase impossível. Um Souza anônimo e pobre está cumprindo a sua sina. É igual a tantos outros Souza espalhados por aí. Ser pobre é o que se espera dele, qualquer desvio de rota é acidente de percurso.

É interessante observar, por outro lado, a existência de uma certa “classe média” entre os sobrenomes. São aqueles nem muito comuns e nem muito aristocráticos, que ficam na zona intermediária da pirâmide onomástica. Nesse sortido balaio cabem os Melo, os Leite, os Albuquerque, os Peres, os Marques, os Gomes, os Barbosa – só pra ficar entre os portugueses. Um universo onde temos, em 90% dos casos, aquela família típica moradora de casa ou apartamento com sala em L, três quartos, um carro na garagem. Essa família frequenta clube, vai à igreja e tem alguma coisa na poupança. Aí se encontram também, grosso modo, aqueles que têm sobrenome de árvore – Pereira, Oliveira, Nogueira, Carvalho, Pinheiro. Além dos Ramos e os Matos, que não chegam a ser árvores mas pertencem ao reino vegetal. Como os Campos. Fico imaginando a chegada de um Machado, o estrago que não faria a essa turma.

Seguindo a lógica de que a terminação "eira" (com ou sem beira) geralmente designa uma árvore, Silveira seria uma árvore de Silvas? Escarafunchando, a gente descobre que Silva também é verbo. Eu silvo, tu silvas, ele silva. Mas também quer dizer “selva”, e por aí vai...

Do reino animal, temos uma variada fauna representada em território tupiniquim pelos Raposo, os Lobo, os Coelho, os Pinto, os Carneiro, os Leão, os Bezerra e outros mamíferos e ovíparos. Já os Magalhães e os Guimarães, embora relativamente comuns, transmitem uma dignidade muito peculiar. Não chegam a ser Johansen, mas certamente passam longe dos Silva, dos Souza e dos Santos. Talvez pelo “ães” no final, não sei. O fato é que a mim, pelo menos, parecem imponentes.

Aí caímos em sobrenomes do tipo Salgado e Penteado. Seriam atributos do patriarca? Um sujeito penteado ainda vá lá. Mas salgado???

Finalizando, temos os deliberadamente bizarros, independente de extrato social. Como o Inocêncio Coitadinho Sossegado de Oliveira, o José Casou de Calças Curtas, o Oceano Atlântico Linhares, o Sete Rolos de Arame Farpado e a folclórica Naida Navinda Navolta Pereira. Esses sim, devem ao nome a glória de jamais serem esquecidos. Ainda que essa notoriedade não reflita, necessariamente, na conta bancária.


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Comentários

  1. Ah, Marcelo, você se superou (mais uma vez!). Que delícia de texto substantivo, daquele tipo que abraça as pessoas e aponta-lhes a grandeza de sua tradição, nem sempre valiosa, mas indiscutivelmente marca registrada de sua presença neste mundão. Vale quanto pesa!
    Beijos

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  2. Marco Antonio Rossi2:41 PM

    Boa tarde e um otimo final de semana.
    gostaria de saber dos sguassabias e rossis da vida, como ficam na arvore genealogica de nomes e suas caracteristicas.....
    Abraço
    Rossi

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  3. José Carlos Carneiro2:42 PM

    Eu já havia lido algo sobre o tema, mas era uma pesquisa para tese de mestrado. Mas a sua crônica já é uma tese, com o grande diferencial do senso de humor, da estravagância e do imaginário nela contidos.

    Obs:

    Por falar em sobrenomes outro dia assisti na TV daqui a proposta de se prestar uma homenagem (talvez uma estátua) a uma pesonalidade da nossa história e que fez fama durante a "Revolução Constitucionalista de 1932". Acredito mesmo que seja, inclusive, sua parente, pois seu nome é Maria e o sobrenome é Sguassabia.
    Um abraço.

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  4. Jorge Cortás Sader Filho2:42 PM

    A “Casa José Silva” sumiu do mapa. Este sobrenome, tão simpático e popular no país, Silva, foi definitivamente comprometido quando apareceu a variante “Lula da Silva”. Cuidado, gente!

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  5. Miriam Sales2:43 PM

    Pois é,aqui na Bahia temos disso ,também.Imagina,só por me chamar Sales Oliveira sempre tinha lugar para mim nos vôos da V arig. Nos bons tempos,claro. rsss
    Aqui na Bahia tinha uma senhora dona de importante jornal q/ só apertava uma mão desconhecida se conhecesse a genealogia.Mãos suadas de Silvas ou Santanas,nem pensar.
    Abração

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  6. Belvedere Bruno4:07 PM


    Marcelo, o que mas me faz rir são os nomes invenções, como - Wersleyton de Sousa------ Charlisbraun da Silva, Ledijaine de sousa, Maiqueljaquison de sousa. Como registram esses nomes???????????Uaiiiiiiiiiiiiiiii!

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  7. Francine1:29 AM

    Ótimo texto, como sempre!
    E os Ribeiro, o que dizer sobre eles?
    Tudo boa gente, principalmente os que vivem nas Minas Gerais..rs
    Abração pro c

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  8. Gostei do texto. Eu sou um Silva. Não sei se isso é melhor ou pior que ser um Sguassábia, ou um Bulhões, o que sei é que gosto de ser selva. Meu abraço.

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  9. Bem, meu caro Marcelo... se nome fizesse a pessoa que o carrega... estaríamos perdidos. Viajei pelos sobrenomes citados por você e, por aqui havia uma tradição de se ostentar 'usineiros' & Cia na lista de presença de colégios que se projetavam à medida da coleção de tais 'castas'... Quando se transferiam... caia por terra toda a tradição! Vi muitos 'brasões' soterrarem-se...
    Abraço, Célia.

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  10. Meu querido amigo, é bem assim mesmo. Mas como seu texto mesmo abordou exceções, eu conheci alguns nomes peculiares no RN. Um rapazinho que era garçom num hotel se chamava Giliardi Flamarion, estava em seu crachá...Este certamente tem sangue oculto das imigrações e passagens dos soldados pela Barreira do Inferno... rsrs.
    Bem, eu tenho o Silva, que combina com o Cybele (tem a ver com selva, florestas), eu tinha o Pereira (judeus que escondiam seus verdadeiros nomes?)tenho agora mais ainda sobrenome de plebeia... Fazer o que , quem nasce pra Donald, nunca chega a Gastão... (lembra disso?) Hahahaha! Beijão, ótimo texto!

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  11. Felizmente trago sobrenomes bastante diferenciados. Mas como o meu, herdado do meu pai, soava onomatopeico, cacei um homem com sobrenome pomposo e casei-me com ele. Extrato social não conhecemos isso, não! Mas o bancário tá ferrado, meu amigo.
    Por fim, escarafunchando também, acabei sabendo pela minha árvore jererarógica que sou da turma do jererê, por que lá trás, na guerra das tribos, uns resolveram se destroncarem e partiram com a turma do pererê, aquele de uma perna só. Por causa disso vivemos contando lendas.

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  12. Meu god, por ter CARVALHO no meu sobrenome estou na classe média, entre os que reinam absoluto? Ser Carvalho é um presente, então? A mim, toda honra e toda glória, mesmo com salário baixo de professorinha esquecida pela pomposa e ingrata ROUSSELF?? Risos... Marcelo, com o seu sobrenome, difícil de ler e de se escrever, tenho certeza que é muito melhor do que qualquer Johansen... risos.. beijo, querido!

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  13. Fernando Dezena4:41 PM

    Parabéns Marcelo, sempre uma gostosa crônica a nos embalar na manhã de domingo.

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  14. Cristini4:42 PM

    Em qual categoria se encaixa os Sguassábias?
    Aristocráticos,medianos,Silvas…incomuns,diferentes,exóticos….ou até talvez,esquisitos?rsrs…

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  15. José Adriano Neves4:44 PM

    AHAHAHAHA!!! Muito bom mas tem um porém: o nome da minha mãE e´: "DALVA DA SILVA PINTO" e pra completar, meu nome é: JOSÉ ADRIANO NEVES....ou seja: pobre por parte de mãe e de pai..................essa vc .judiou do velho amigo aqui, porém como eu me dirijo a ela tratando por "MÃE", será que dá pra vc. só pra amenizar a facada incluir "MÃE" na categoria "MAGALHÃES!"?


    RSRS...................vale pela força hein!!!!

    ABS

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  16. Ana Lucia4:45 PM

    Oi primo, tudo bem?

    Gostei muito da crônica, como sempre. Li recentemente um livro, não me lembro se foi O Príncipe de Nassau, ou outro que fala dos movimentos nacionalistas do tempo do Império, que conta que muitos sobrenomes foram inventados para substituir nomes portugueses, daqueles que queriam uma ruptura com Portugal. Geralmente eram nomes silvestres: Sussuarana, por exemplo. Vou ver se acho e te envio a procedência da informação. Lembrando que sou Silveira, uma árvore de silves!
    beijo
    Ana Lucia

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  17. Vera Vinicius4:45 PM

    Muito bom!

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  18. André Albuquerque4:49 PM

    Um painel da história do Brasil, em rápidas e precisas pinceladas.
    Comentava-se que os judeus radicados em Pernambuco, alteraram seus
    sobrenomes , adotando denominações de árvores e animais, para fugir
    da perseguição religiosa da época. Excelente texto.Forte abraço.

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  19. Mario Jacoud4:51 PM

    Bem interessante e humorado para um Pirajá Sguassábia...
    Grande abraço.

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  20. Heloisa Secklen4:53 PM

    não gostei do texto SOBRE NOMES... pq vc fala do meu sobrenome... o de vovó era Secklen que se casou com o simpático portugês Das Neves...
    hmmmmmmmm só pq vc tem esse sobrenome esquisito fica falando mal do meu... chato!
    kkkkkkkkkkkkkk
    beijo Marcelo (adorei o texto)

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  21. Claudete Amaral Bueno4:55 PM

    Oi!
    Desta vez, sua imaginação n/ passou longe da realidade!
    Estava ansiosa pra ver o que vc diria de Sguassabia e de Amaral.......mas fiquei so na vontade,,,,
    Lixeiro Sguassabia....difícil, hein? Coveiro, mto menos!.......rsssss
    Mas qq dia vc continua escrevendo sobre isso, pois dá pano pra mta manga!
    Um abraço e bom final de domingo.....
    Claudete

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  22. Alessandra Rocha12:26 AM

    Oi, Marcelo!!!
    SENSACIONAL!!! Entre tantos "senões" sociais vigentes em nosso país, de fato o sobrenome ainda impera. Como sou ROCHA, tento me manter firme e perseverante na luta diária por um espaço para sobreviver nessa selva desalmada.
    Abraços,
    Alessandra

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  23. Nubia1:22 AM

    Eu até conheço um Johansen, ah!!!! mas ele tem um Silva pra
    > escangalhar a "bagaça" toda. E Benevides? Será que tem bagagem?
    > Demorei a postar, mas nunca é tarde, eu sempre leio teus textos.
    > Bem...usando a sua forma de explicar
    > a origem dos nomes eu acho que o meu é de pobre mesmo!
    > Muito bom Marcelo, abração!

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  24. Mara Narciso1:25 AM

    Gosto do tema, e achei original no sentido de ser sobrenome e não nome. Interessante é que nesse assunt, pouco se inventa. Difícil alguém deter-se sobre um papel ou teclado e sair-se com uma invenção do tipo Lorraynne, por exemplo. Caso seja sobrenome estrangeiro, já há uma maneira correta de ser escrito. Embora Silva seja o dito mais comum, por aqui, no norte de Minas Pereira e Rodrigues ganham longe. Você, por seu lado tem sobrenome chique, estrangeirado. Garanto que não aceitaria trocá-lo por nenhuma das árvores. Li que Santos, de Jesus e da Cruz (meu caso, Narciso da Cruz) é nome escravo, tirado da religião para suprir uma falta. O que acha?

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  25. Zezinha Lins11:51 PM

    Bem, com o meu Oliveira Lins, não sei bem onde me encaixo, mas tbm isso não tem a menor importância. Infelizmente vc retrata uma realidade, nem sempre esses sobrenomes pomposos são sinais de bom caráter, assim como temos muitos Silvas gente finíssima no trato com as pessoas e no caráter. Pena que muitos que se consideram”inteligentes” só conseguem enxergar como gente os que carregam sobrenome “imponentes”.
    Forte abraço, Marcelo!

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  26. Bom, meu caro Pirajá Sguassábia, você há de convir que está no rol dos Rockfelers e Vanderbilts em termos de pompa... se a grana não é a mesma do seu lado, sobra criatividade no verbo.
    Em tempo: coisas da Sanja de antanho [não ouvi mais] era você chegar na casa de um novo amigo e ser questionado pelos dele: "Bem, você é gente de quem?".

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  27. JosianeBorges3:24 PM

    Que delícia de texto Marcelo! abraço

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  28. Emilia Goulart dos Santos1:54 AM

    Muito boa crônica, uma caçada genial. em outros estados os bichos
    são outros. Aproveite a temporada.
    Parabéns.

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