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RIBAMARES



Ribamar não deve nada a ninguém, este é o fato. Por mais que conspirem e tentem envolvê-lo em imbróglios difamantes, sua ficha permanece incólume. Tão alva e inatacável quanto a consciência dos verdadeiros inocentes.

E olhe que tentam com afinco manchar seu nome, que já batiza dezenas de ruas, viadutos, postos de saúde e unidades de estocagem de macaxeira espalhadas pelo nosso Estado. Sim, as tentativas diárias de desmoralização se multiplicam de maneira estonteante, atingindo não só o Ribamar político, mas também alguns de seus xarás apadrinhados.

Um exemplo recente foi a insinuação desmoralizante contra Ribamar Leocádio, neto de um fiel correligionário, lotado como assessor de gabinete nível sete desde outubro de 2010. Pesa contra ele a denúncia de jamais ter comparecido ao seu local de trabalho, para tomar posse e assento. Imaginem o pandemônio que ia ser se todo nomeado cismasse em ocupar seu cargo na capital federal? Assistiríamos a um overbooking trabalhista sem precedentes!

Percebam que não é Ribamar Leocádio que está lotado no gabinete, é o gabinete que está lotado de gente valorosa como ele. São dezoito Severinos, dois outros Ribamares com problema de obesidade e cinco Raimundos Nonatos dividindo uma salinha de quatro por quatro e meio. O quadro catastrófico assim se desenharia, se todo mundo fosse de fato pegar no batente. Felizmente, a grande maioria fica na praia, mandando ostras goela abaixo e bebericando guaraná Jesus.

Pois é, minha gente, esses arroubos de heroísmo ninguém vê. Para mostrar essa atitude abnegada, essa demonstração de cidadania e de espírito público, a Rede Globo não envia nenhuma equipe de reportagem.  É claro que toda essa gente do agreste preferiria estar em Brasília, se esbaldando em ar condicionado, ao invés de ficar salgando a bunda na praia debaixo de um calor senegalês. Na verdade esses servidores pensam primeiro na pátria e evitam os nefastos efeitos da superlotação, que poderiam culminar em tragédia e, consequentemente, em gastos emergenciais aos cofres do Estado.

Aí me vem a oposição com mais uma infâmia,  fazendo injusto alarde sobre a licitação para compra de meia dúzia de toneladas de lagostas, destinadas ao trivialzinho  variado do Palácio onde a filha de Ribamar governa exemplarmente.

Temendo o desgaste político junto à opinião pública, o governo determinou o cancelamento da compra. E o que acabou acontecendo? Ao abrirmos mão do processo licitatório, tivemos que comprar lagosta no mercado informal, sem garantia de origem e em condições discutíveis de armazenamento e conservação. O produto foi servido em coquetel oferecido a uma comitiva de empresários chineses, que estava em nosso Estado para fechar um grande negócio de fornecimento de catracas de motocicleta. Estragada, a lagosta à Thermidor provocou intoxicação alimentar severa nos membros da comitiva, que assim que obtiveram alta hospitalar retornaram à China sem assinar contrato algum. Se gasto com lagosta de qualidade, o dinheiro retornaria ao governo multiplicado por mil, cinco mil, dez mil, sei lá...

Então por que, pergunto, a perseguição política aos nossos queridos representantes? Por que o linchamento midiático? Ora, vão cuidar de suas vidas e deixem o(s) Ribamar(es) trabalhando sossegados.


© Direitos Reservados





Comentários

  1. O que dói, Marcelo, é a grande quantidade de Ribamares, de Rodolfos, de Manuéis,.. que se eternizam sem a menor esperança de que isso mude. Meu abraço.

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  2. Celi Estrada3:28 PM

    Coitadas das lagostas , mas os Ribamares, que se Fod----
    Celi

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  3. Marco Antonio Rossi3:29 PM

    Carissimo amigo
    nas proximas duas semanas estarei ausente,mas estou bem.
    Na volta conversamos.
    Quanto ao texto, ele me lembra uma família do Maranhão, que deveria estar cuidando do povo de lá ao inves de comprar lagostas. Talvez até dentro de um certo presídio que virou notícia...
    Um grande abraço e ate a volta.
    Abraço
    Rossi

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  4. Claudete Amaral Bueno3:30 PM

    Oi!
    N/ consigo abrir. Diz que o blog foi removido. Lamento.
    Abraços
    Claudete

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  5. José Carlos Carneiro3:32 PM

    Tive uma difusa, vaga, subliminar e parca impressão que, a seu modo, tenha mui sub-repticiamente dado a entender que a crônica "Ribamares" teve como foco certo feudo à décadas nas mãos de um mesmo grupelho que manipula pela pilantragem e se valendo da falta de esclarecimento de irmão pátrios. Refere-se, por acaso, ao estado natal de um tal de Sirney, autor da "obra" de título "O dono do mar" (na verdade o título correto devia ser O dono do Maranhão)?
    Um abraço.

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  6. João Daniel Souza3:36 PM

    Excelente texto. É exatamente o que acontece com a politica nacional, fruto de um coroneilismo exacerbado e incontrolável.

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  7. Bernadete Valadares3:36 PM

    Gostei!

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  8. Regina Pirajá3:37 PM

    Otima !

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  9. Antonio Gregório3:38 PM

    Honoraveis bandidos...

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  10. André Albuquerque3:38 PM

    As capitanias hereditárias do século XXI e seus felizes donatários

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  11. Paulo Marsiglio Neto3:39 PM

    Há 30 anos atrás queríamos Diretas Já pra não eleger mais esse tipo de figura... Excelente texto!

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  12. Meu caro amigo, concordo plenamente com você. O que é que tem?
    (Você também não queria trabalhar assim? Eu queria!)
    rsrsrs.
    Um beijo!

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  13. Rita Lavoyer11:22 PM

    Mas se o Ribamar é um fdp, seus descendentes, seus iguais e correligionários idem. Melhor comer a lagosta, já que a ‘ filha dona’ em questão deve ser difícil de encarar.

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  14. Ribamares à parte, seu talento é único... quando vem o livro?? Beijo!

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  15. Mara Narciso9:54 PM

    Lagosta espetacular! Uma obra prima sem precedentes, e na qual é impossível trocar uma letra que seja. Lamento o fato de a filha de Ribamar ter distribuído lagostas de fogo, pois uma grave infecção intestinal esquenta e fere de morte a retaguarda de qualquer chinês incauto. Parabéns Marcelo!

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  16. Valeriano Lopes Braga9:55 PM

    Lembrei de um rapaz que trabalhava na fazenda de meu pai e que me escoltava quando por lá ia de férias, seu apelido: "Cagáemriba", teria muita utilidade hoje em dia.

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  17. Beatriz Azevedo9:55 PM

    Critico e divertido texto, adore muito bom.

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  18. Ildeu Ramos Macedo9:56 PM

    Lagosta indigesta.Em Brasília faria sucesso.

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  19. José Hamilton Brito10:02 PM

    Eu acho justo o seu pedido. Eles vindo lá e cima e parando em Brasília, ficam concentrados.
    Na hora que o senhor Guilhotin aparecer, pois um dia esse povo cria vergonha na cara e cantando a Marselhaise, decidirem por cortar uns pescocinhos , acharemos todos reunidos.
    Falar na familia do tar, a filha dele deu uma desbarrancada…ela foi mais gostosinha, ne não amigo?

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  20. Jorge Cortás Sader Filho10:02 PM

    Eu prefiro manter distância destes comedores de lagosta. Tomo o “Chablis” sozinho, não corro o risco de me intoxicar. Caixas de vinho foram quantas? Sabe? Sede e fome… No Tesouro Público!
    Vai numa taça, Marcelo? Ei, não é proposta indecente não, comprei o vinho num bom supermercado.

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  21. Rosa Pena10:03 PM

    “Para mostrar essa atitude abnegada, essa demonstração de cidadania e de espírito público, a Rede Globo não envia nenhuma equipe de reportagem”
    to chorando de rir! E o Sarney não morre.PLIM PLIM!
    beijos.

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  22. Rita Lavoyer10:05 PM

    Mas se o Ribamar é um fdp, seus descendentes, seus iguais e correligionários idem. Melhor comer a lagosta, já que a ‘ filha dona’ em questão deve ser difícil de encarar.

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