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CASTIDADE VIOLADA

Imagem: www.psychologytoday.com/blog/you-it/201205/the-truth-about-chastity-belts



- Quando fechamos negócio, o senhor me jurou que dava garantia.

- Eu disse que garantia o produto contra defeitos de fabricação, o que não inclui avarias provocadas pelo mau uso. O cinto de castidade que eu lhe vendi foi violado, eu poderia jurar que usaram um pé-de-cabra para arrebentar a fechadura.

- Desculpa, mas um produto dessa natureza e com essa finalidade, só tem serventia se for comprovadamente inviolável. Cadê a fiscalização do Inmetro numa hora dessa? A minha noiva desacordada na cama, todo aquele sangue escorrido... Ah, se o senhor visse...

- Bom, pela minha prática eu arriscaria três hipóteses para o fenômeno. A primeira: a própria mulher ou alguma outra pessoa provocou ferimento nas partes baixas ao forçar a abertura, aí acabou sangrando. A segunda: a mulher menstruou e, incomodada com o sangue melecando a virilha, abriu a gaiola genital para se limpar. Não sei como, mas abriu. A terceira, que o amigo vai custar a admitir mas que costuma ser a mais provável: o sangue é da perda da virgindade. Consentida ou forçada.

- Ela não faria isso. A minha noiva não!

- Pois é, mas o senhor se lembra que não foi por falta de aviso. Se tivesse levado o modelo com quadrichave e senha digital, poderia ter evitado todo esse aborrecimento. Até hoje não conheci ninguém capaz de violar um genuíno quadricinto de castidade.

- Ponha-se no meu lugar. Se a noiva fosse sua e tivesse acontecido isso, o que pensaria?

- Eu não pensaria nada, pois teria optado por um cinto da linha Quadrichave Ultra Security para não ter dor de cabeça. Se a questão é prevenir, vamos fazer a coisa direitinho.

- Mas dizendo isso o senhor deprecia o seu modelo básico. Por uma questão ética, não poderia vender um modelo com chave comum e risco de violação, concorda?

- Olha, vamos parar com essa discussão. Eu conheço muito bem e respondo por toda a minha linha de produtos, tenho um bom nome na praça e a consciência tranquila. Já o senhor, eu não sei se está tão seguro quanto ao caráter da sua noiva.

- Escolha bem as palavras quando se dirigir a mim, seu maldito insolente. A família dela é respeitada em todo o reino, é gente que honra o brasão da família!

- Então por que comprou o cinto?

- Ferreiro desgraçado! Seu pós-venda não vale nada, é um case de marketing sobre o que não se deve nunca fazer e dizer ao cliente! Vou postar hoje mesmo essa história toda nas redes feudais. Seu negócio será reduzido à produção de ferraduras pra jumento, e olhe lá.

- Bom, pelo menos de fome eu sei que não vou morrer. Jumento é o que não falta nesse feudo...




© Direitos Reservados


Comentários

  1. Redes feudais?? Você é genial, Marcelo! Estava com saudade de te visitar aos sábados!! Beijo!

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  2. Nossa, quanta genialidade para atualizar um assunto tão antigo. "Redes feudais" foi o máximo!

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  3. É... Quando entra jumento na história a coisa complica.

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  4. Jumento e ferraduras, na atual conjuntura, será uma boa "rede" para muitas CPIs... Haja espaço na "Rede Mundial"... Quanto à castidade (?) ... Qual a "Rede" que a representa?
    Abraço.

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  5. José Carlos Carneiro7:56 AM

    Genial, caro Marcelo. Como sempre, sua criação e invencionice saindo pelo ladrão. Mais um tento na sua faina em mostrar a que veio, como escritor de méritos. Isto me faz pensar que seus neurônios vivem em permanente estado de graça.
    Um abraço.

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  6. Antonio Carlos Antoniazi4:05 PM

    Então, Marcelo Pirajá Sguassábia. Se tal fato houvesse ocorrido aqui no Brasil, e após o advento da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990, mereceria ele, o fato, a sua aplicação. O Código de Defesa do Consumidor é uma lei abrangente que trata das relações de consumo em todas as esferas: civil, definindo as responsabilidades e os mecanismos para a reparação de danos causados; administrativa, definindo os mecanismos para o poder público atuar nas relações de consumo; e penal, estabelecendo novos tipos de crimes e as punições para os mesmos.

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  7. Sonia Maria Grisi4:06 PM

    Muito bom!

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  8. André Albuquerque4:07 PM

    Hilária do princípio ao fim.Parabéns.

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  9. Claudete Amaral Bueno4:10 PM

    KKKKKKK

    Apesar de n/ ter confiança alguma na "fulana", apreciei sua mensagem,
    que eu sei, é só fruto da sua fértil imaginação! Parabéns, como sempre!
    Um bom domingo......
    Abraços
    Claudete

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  10. Marco Antonio Rossi4:11 PM

    Meu caro amigo, nos tempos de hoje esse instrumento de segurança, seria um prato cheio para os hackers de plantão.
    Mudando de assunto e com grande respeito e admiração familiar, pergunto de Maria Sguassabia a heroina da Revolução Constitucionalista de 32 também conhecida como "Maria Espingarda" é parente ?
    Sabia que tinha algo em comum com o amigo....meu pai nasceu em São José do Rio Pardo.
    Um grande abraço
    Rossi

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  11. Sandra Aggio4:12 PM

    Otimoo !!!
    Grata
    Abs

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  12. hahahah muito bom, muito bom como sempre meu amigo. Uma geringonça dessas nenhuma mulher merecia nem antigamente e nem nunca! Abraços Marcelo. ♥

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  13. Mara Narciso11:35 AM

    É o que se pode chamar de degringolamento da fala civilizada, com desproveito para os dois lados.

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