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A HORA E A VEZ DO SAL GROSSO

Imagem: shopgrillchurrasqueiras.com.br


"Enquanto eles choram, eu vendo lenços", disse uma vez o ilustre Nizan Guanaes, com sua obstinada verve empreendedora e seu otimismo desmedido. E no meio dessa choradeira toda de milhões de brasileiros, que culpam a crise, o governo, o patrão filho da mãe e sei lá mais o quê pela catástrofe em que estamos metidos, o lenço que eu vendo é o desacreditado sal grosso. Isso mesmo: sal grosso, aquele de botar atrás da porta para espantar visita ruim. 

Não fosse eu o cabeça-dura que sempre fui, acho que nem teria começado com essa história. Quanta gente tentou, de todo jeito, me alertar de que o negócio não iria pra frente. Principalmente a família e os amigos mais próximos. "Imagina, sal grosso? Ainda se fosse batata, milho, açúcar, café ou outra commodity mercadologicamente mais nobre e de consumo obrigatório..."

Pois fui em frente e não me arrependi. Joguei um pouquinho do meu produto nas costas (até quem vende sal grosso precisa de proteção), me benzi com o sinal da cruz e coloquei meu destino nas mãos de Jorge, o santo guerreiro, e seu alazão lunático. Para me sentir mais garantido, assegurei com mamãe uma provisão diária de cinco rosários pedindo a intercessão da Virgem para o bom andamento da empreitada.

Quanto mais eu pesquisava sobre o meu ganha-pão, mais eu ia vendo que lidava com algo mágico. Mágico e de efeito científico comprovado. O sal, especialmente o sal grosso, é capaz de neutralizar campos eletromagnéticos negativos. Entrando pelas searas do misticismo e da religião, os poderes e as aplicações se multiplicam num sem número de mandingas, simpatias e rituais que limpam corpo e alma, recarregam as energias e afastam inveja e mau-olhado. Resumindo: tinha na mão um coringa, aplicável perfeitamente a todo tipo de circunstância, sorte ingrata ou descaminho a que o indivíduo fosse levado, por seus próprios erros ou maus fluídos dos outros.

Tempos e ambientes de desesperança, desemprego, lamentação e angústia são, para esse humilde filho de Deus, a terra prometida. Encontrado nas boas casas do norte, mercadinhos de bairro e até em lojas de ração e formicida, o sal grosso "Redentor" (marca registrada) extermina qualquer quebrante e coisa feita. E para manter bem forte o poder de ação, está lá na embalagem que é preciso trocá-lo de dois em dois dias, já que os cristais se neutralizam em pouco tempo porque puxam a negatividade do sujeito. Ou, como eu digo sempre, o sal fica cansado. Se não ficar repondo frequentemente, não tenho como garantir o efeito esperado. Temeroso, meu cliente deixa faltar o arroz e o feijão mas tem a despensa sempre muito bem abastecida com quatro ou cinco sacos do "Redentor". 

Se ganho na crise, saio ganhando mais ainda na prosperidade. Em qualquer cidade desse país, o primeiro e infalível sinal de que a recessão econômica está dando uma trégua é o aumento da venda  de picanha maturada nos açougues. O brasileiro nasceu para queimar uma carne no fim de semana. E não preciso nem falar qual é o único tempero que se usa para fazer um churrasco que se preze, como manda a tradição gaúcha, certo?


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Comentários

  1. Aceita uma "franquia?" Sigo os conselhos de Max Gehringer... "Já que quando você opta por franquias, você tem o apoio do franqueador."
    Abraço.

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  2. Eu amo sal grosso! Agora está na prateleira mais charmosa. Tem sal grosso com ervas, sal rosa, sal defumado... risos... das viagens que fiz, encontrei um em Barcelona aromatizado com alho... delícia!!! Parabéns, de novo. E um banho de sal grosso vai nos trazer boa energia para essa fase difícil.. risos...

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  3. Tô nem aí, não como picanha mesmo. chupo a carne e engulo o sal, daí o efeito protetor é mais rápido, a simpatia cai direto no sangue. Mas... por via das dúvidas, melhor encomendar alguns sacos rapidamente, vou despejá-los por todos os cantos onde eu estiver, sem contar que vou levar um quilo na bolsa, numa investida do assaltante, é rodar a bolsa e acertar as fuças do meliante. Pensa o quê, um quilo de sal na cara pode não matar, mas que joga o sujeito no chão, isso eu garanto. O sal tem mesmo muitas utilidades.

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  4. Nunca nós precisamos tanto de sal grosso! Espalhar por Brasília vai dar um trabalho do cão, mas é preciso.

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  5. Uma das ujtiloidades,viu Rita, é reter água, aumentar a volemia e levar aos poblemaas cardiovasculares. Mas há que se morrer de alguma coisa, cacete. Então que seja mergulado numa boa picanha ou ponta-de-peito com a gordura estalando. Viva o sal, grosso ou fino, com muita carne e cerveja aqui no menino

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  6. O negócio "tá tão bão" que eu ia oferecer minha assessoria mas não vai precisar. Já mandei o marido trazer 720 quilos para armazenamento, rsrsrsrsrs... Mas quem nunca, hein, tomou um banhozinho de sal grosso ? Vai que...

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  7. Inté parece qui u cumpadi caçoa i casaca di nóis. U oto cumpadi foi pra Bras Ilha i nem sei si leu da formicida - pra saúva num tem meió remédio. Aqui no Raso da Catharina, nu point di nomi Quixeragambá já tem churrasco di jabá com sal grosso Redentor. Maió sucesso Marcelo!. Propaganda há di ser sempre a arma du negócio. .

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  8. Claudete Amaral Bueno1:34 PM

    Sabe que a sua foi uma ótima ideia mesmo???????????

    Que continue dando certo....porque os churrascos n/ irão acabar....apesar da crise!

    Uma boa semana p/ vc!

    Claudete

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  9. Marco Antonio Rossi1:36 PM

    SARAVÁ!!!
    meu amigo, que OGUM nos oriente na batalha da vida e nos dê discernimento para passarmos por mais essa dificuldade brasileira.
    Abraço e ótimo final de semana.
    Rossi

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  10. André Albuquerque1:38 PM

    Diria o Coutinho, ex-tecnico da selecinha ,ops,seleção: sal grosso, o polivalente.Excelente,Marcelo Pirajá Sguassábia,um abraço.

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  11. Jorge Cortás Sader Filho1:39 PM

    Nem me fale em sal grosso. Já tomei um tiro disso. Arde demais!

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  12. Antonio Carlos Antoniazi1:40 PM

    Li, caro Marcelo Pirajá Sguassábia, atentamente, todo o texto. Mas reporto-me à primeira linha do primeiro parágrafo: “Enquanto eles choram eu vendo lenço", creditada ao Nizan Guanaes. Já havia ouvido, e anotado, a seguinte assertiva, muito parecida, mas de autor por mim desconhecido: "Em tempo de crise, enquanto uns choram outros vendem lenços.".

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  13. Marcelo Sguassábia1:41 PM

    Então, Antonio Carlos De Souza Antoniazi, imaginava que a frase fosse do Nizan. Essa frase, inclusive, dá título a um livro editado recentemente sobre a trajetória de sucesso desse genial baiano.

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  14. Antonio Carlos Antoniazi1:44 PM

    Não estou afirmando, Marcelo Pirajá Sguassábia, que a frase não é dele. Estou, caro amigo, esclarecendo que vi essa que cito, e é muito parecida, em um contexto que, com certeza, nada tinha a ver com o Nizan. Sabe-se lá quem é o plagiador, ou, ainda, se não é o caso de uma coincidência de idéias. Sei lá. Grande abraço.

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  15. Pois no momento opto pelo banho de sal grosso mesmo. Vai lá q funciona. Amei sugestões. Bjs

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  16. Mara Narciso1:33 AM

    Na saúde ou na doença, sal grosso é a valência.

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