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Mostrando postagens de Abril, 2016

VEM PRA BRIGA VOCÊ TAMBÉM. VEM!

- "Omo faz, Omo mostra". Mas mostra o quê? Acho vago esse raciocinio.
- Queria que eu fizesse um tratado filosófico? Slogan bom tem no máximo seis palavras. Eu me virei com quatro. Tinha feito outras opções para apresentar, na verdade gostava mais de um outro. Mas o cliente escolheu esse. 
- Não foi o meu caso. Quando criei "Danoninho vale por um bifinho", só mandei um e acertei logo de prima. Na convenção da empresa me fizeram uma homenagem, como autor de um posicionamento que iria diferenciar o produto nos proximos 20 anos. Foi muita responsabilidade. Pra você ter uma ideia, me deram de presente um Chevette GP Okm, daquele laranja com friso preto.
- Vai me desculpar, mas com esse slogan você convence a mãe, não a criança. Tá falando que é nutritivo, mas o pirralho não está nem aí com isso. 
- Não, não. Eu falo pra criança que, comendo um Danoninho, ela escapa do chato do bife.
- Tá bom, mas deixa eu defender minha cria e explicar o meu "Omo faz...
- Se precisa exp…

O SEXO À LUZ DA DOUTRINA DUÑESCA

Antes de mais nada, à luz da nossa doutrina, o sexo é feito no escuro. A visão das vergonhas alheias, ainda que entre marido e mulher, é experiência hedionda e desaconselhável. Na impossibilidade de penumbra, o par se obrigará a praticar o chamado coito vestido, em traje esporte fino acrescido de luvas e tornozeleiras. Um edredon ou outro artefato do gênero carece de ser providenciado para cobrir o casal da cabeça aos pés, até que o ato se consuma da forma mais recatada e discreta possível.

A luxúria, ou seja, o comportamento libertino e pecaminoso, deve ser evitado a todo custo - mesmo que só em pensamento. Nas preliminares, nos finalmentes e especialmente durante a coisa e si. Essa instrução pode parecer a princípio paradoxal, já que para a maioria das pessoas o intercurso sexual é resultante do desejo recíproco entre as partes. Assim, recomenda-se, segundo o Venerável Duña, buscar excitação suficiente apenas para que os aparelhos reprodutores desempenhem satisfatoriamente sua função…

MANUSCRITO DE ELANTRA

Não demorou muito para perceber que o mundo tinha acabado, e que aparentemente só restava o que sobrou de mim para fazer companhia às bactérias.


É impossível precisar como ou quando exatamente recobrei os sentidos após a hecatombe, e o que a desencadeou. Não houve aviso nem pânico que a precedesse. Seja lá o que tenha acontecido, foi muitíssimo rápido o golpe de extermínio. Enquanto tirava o pó dos olhos e ensaiava uns passos com o que supunha ainda serem minhas pernas, tentava adivinhar a causa entre as possibilidades mais plausíveis: o louco ditadorzinho de Oregons Lanontry em incontido surto megalômano, um meteoro em súbito desvio de rota, um insuspeito arsenal nuclear do Estado Setentrional, quem sabe a fúria da natureza em desastroso revide.


Nem a céu aberto (e é tudo a céu aberto agora), nem sob os escombros havia sinal de água ou comida. Nenhum inseto voador ou rastejante. O que se conhecia por matéria parecia afetada em seu nível molecular.  Objetos e seres ganharam um contorno …

ELEFANTE DA SORTE

- Senhor Alcindo, comecemos do começo. Consta dos autos que o senhor iniciou sua vida profissional como coletador de excrementos de elefantes. Confere?

- Isso mesmo, autoridade. Ganhava quase nada e trabalhava feito um condenado. Até que uma elefanta deu cria e eu fiquei com o filhote. Quando o filhote cresceu...

- Em que lugar o senhor criava esse filhote?

- Numa chácara de um amigo do meu pai.

- Pode nos dizer o nome dele?

- Usando o direito que a lei me garante, permanecerei calado. Desculpe, autoridade, o nome do dono eu não lembro mesmo... Mas, continuando. Quando o filhote cresceu, eu tive a ideia de ir pra rua com ele e levar as pessoas para dar voltas de elefante. Foi um sucesso extraordinário! Dez reais por cabeça, chegava a levar oito em cada voltinha de dois minutos.

- Deixa ver, fazendo aqui um cálculo aproximado, e chegamos à conclusão de que, mesmo se o senhor levasse a população inteira do país para dar voltinhas de elefante durante 3 séculos, ainda assim não conseguiria acum…

O QUASE

Entre o vegetariano inflexível e o carnívoro inveterado, desponta uma nova categoria de comensal. Fica a meio caminho de uma coisa e outra. Trata-se do quase-vegetariano, aquele que já assumiu a validade filosófica de não comer bichos defuntos, mas que ainda não consegue evitar eventuais recaídas.
Considerando que o refogado de acelga é oito e o churrasquinho grego é oitenta, proponho aos quase-vegetarianos uma alternativa conciliadora: a opção pelo miúdo, entendendo-se por miúdo o rim, o coração, o bucho, a moela, o fígado, o miolo, a língua e outros ítens não tão miúdos no tamanho e na forma. Digo conciliadora porque tudo isso que elenquei é órgão, e não carne.
Ninguém engorda porcos, abate rebanhos inteiros ou extermina quilômetros de granjas para arrancar miúdos. Eles são subprodutos. Que acabam sendo aproveitados para engrossar embutidos, fazer ração de cachorro, despacho de macumba e outras variadas coisas, que até Deus duvidaria se não estivesse vendo tudo. Além, é claro, de abas…