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Mostrando postagens de Agosto, 2016

ABRIDORES E FECHADORES

- Quando eu entrei por concurso no serviço federal, acumulava função. Olha o absurdo! Naquele tempo, quem abria tinha que fechar a porta também. Era uma escravidão, a gente ficava sobrecarregado. Depois de muita luta do sindicato, conseguimos criar a função comissionada de fechador de porta. Mas antes, não era mole. Tinha dia que encarava três, quatro maçanetas no horário do expediente. Dá pra imaginar? Chegava esgotado em casa, queridão. Só de lembrar daquela época, já me ataca a gastrite.

- Tenha dó, não queria estar na sua pele. Quatro maçanetas pra abrir num dia só, tem que ter Jesus na causa. É a treva.

- E além do desumano desgaste físico, já reivindicávamos mais segurança no desempenho da função. Isso sempre esteve na pauta da categoria. E convenhamos: nós, abridores, estamos muito mais expostos a riscos do que vocês, fechadores. É quando a autoridade entra em um ambiente novo que o risco é maior. Quando está saindo do recinto é tudo mais fácil. O evento, a audiência, a recepção …

MINIMALISMO É O MÁXIMO

Até outro dia restrita ao mundo das artes, aos poucos ela vem virando a palavrinha da vez, nas rodas e nas bocas de emergentes-celebration, aqueles descoladíssimos que conquistaram seu lugar ao flash.

Em mínimas palavras, o minimalismo é a doutrina que entende a felicidade do ser humano como inversamente proporcional à quantidade de recursos ou bens materiais que se possui. Ou, numa definição despojadamente simples, à moda minimalista: quanto mais se livra daquilo que tem, mais rico e realizado o bípede se torna. Só o elementar é bom o bastante. Tão somente o essencial, a plenitude da existência compreendida como algo beirando a imaterialidade. 

Por essas e outras diáfanas definições, conclui-se que só tem estofo cultural e filosófico para praticar o minimalismo quem já foi um dia "maximalista", quem já teve do bom e do melhor vazando pelo ladrão. O endinheirado que entre uma festa e outra, por algum motivo, desencantou-se com tantos e tão confortáveis latifúndios, coberturas …

URINOTERAPIA

Pode ir tirando essa cara de nojo de cima do meu texto: não tenho culpa desse negócio existir e ser o assunto de hoje. Queixe-se com os egípcios, os chineses e os indianos, que mantêm o hábito vivo há milênios e não veem a hora da bexiga encher, abrir a torneirinha, servir uma boa dose com bastante espuma e mandar pra dentro - não sem antes derramar um pouquinho pro santo. 

A ingestão do próprio xixi com fins medicinais, para curar doenças e fortalecer o organismo, é mais comum do que se pensa. E não é só lá no Oriente, não. Pode ser aí mesmo, nos domínios insuspeitos do seu vizinho. 

A primeira urina, aquela da manhã, bem amarelada, é tida como a melhor. Suculenta e caudalosa, é riquíssima em melatonina e em uma série de outros hormônios importantes. Curtida na cama, no tonel da barriga, apresenta substâncias benéficas em alta concentração.

Alergias, doenças autoimunes, infecções, queimaduras e até câncer: nada escapa ao imenso leque curador desse dejeto nosso de cada dia. A popstar Mad…

SONHO OLÍMPICO

"O melhor emprego do mundo: salva-vidas da Olimpíada tem visão privilegiada.
Uma lei estadual que determina que todas as piscinas do Rio tenham um salva-vidas criou um posto incomum na história olímpica. Além de não ter muito o que fazer, o salva-vidas tem a melhor vista da competição." (Folha de S. Paulo, 2 de agosto de 2016).



O que ele mais desejava na vida era também o sonho de quase todo descendente de Adão: ter um emprego com garantia absoluta de não precisar trabalhar. E conseguiu. Só por alguns dias, mas conseguiu. 

Juntando os aquecimentos, os treinos, as etapas classificatórias e as provas propriamente ditas, eram horas e mais horas ao dia de proveitoso ócio ao abrigo do sol, deixando a mente fluir por onde bem entendesse e descartando definitivamente a possibilidade de precisar pular na água para livrar o Phelps e outros golfinhos humanos do afogamento. 

Foi fácil se acostumar ao dolce far niente e a não querer jamais outra coisa. Bebida, só pedir. Comida, idem. Aborre…