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Mostrando postagens de Janeiro, 2017

NOVELOS E NOVELAS

Ninguém pode afirmar com absoluta certeza, mas tudo leva a crer que o termo "novela" vem de "novelo". O fato de ser algo que vai se desenrolando aos poucos explica esse bem aplicado batismo. 

Mas novela não só vem de novelo. Ela vende novelo, com o perdão do trocadilho. Se por um lado vemos a TV perdendo audiência dia a dia para a internet, por outro é crescente a fatia populacional da chamada terceira idade. Tem mais vovós crochetando e tricotando em frente à boa e velha televisão do que sonha a vã filosofia do Mark Zuckerberg. Por mais que as vovozinhas de hoje saibam também manejar com destreza seus perfis no facebook e no instagram.

Essa nova realidade inspirou um plano ambicioso e detalhadamente articulado, envolvendo o núcleo de projetos especiais da emissora líder e o maior nome da nossa indústria têxtil. O patrocinador da novela é o fabricante do novelo. Além de milhares de inserções de merchandising no enredo televisivo, a marca fica licenciada a utilizar no…

O DESPERTADOR HUMANO

Junto com a Revolução Industrial – período de 1760 a algum momento entre 1820 e 1840 – vieram os empregos. Para não perderem a hora, existia o despertador humano, um profissional responsável por acordar as pessoas para que comparecessem ao trabalho pontualmente. O primeiro relógio-despertador foi criado em 1847, mas só se popularizou décadas depois. Assim, era comum ver pessoas com bambus ou varetas batendo nas vidraças ou atirando pedrinhas nas janelas daqueles que as contratavam.
(fonte: universoretro.com.br)





Fico imaginando o que seria dessa cidade caso eu tivesse escolhido outra coisa para fazer na vida. Se bobear, você mesmo pode ter sido acordado por mim hoje. 

Não há quem não precise de meus préstimos. Muitos podem pensar que não faz nenhum sentido um arrumador de pinos de boliche, por exemplo, necessitar dos serviços de um despertador humano. Ele não tem que acordar cedo, pois geralmente trabalha à noite. Só que ele troca a noite pelo dia, e se não houver ninguém para acordá-lo m…

TATTOO À DIREITA

Já vou avisando, a quem se interessar, que aqui é tudo de extrema direita. Dos desenhos tatuados até o tatuador, que é membro da Ordem Rosacruz com orgulho e mantém em dia suas contribuições mensais à Opus Dei e à Legião da Boa Vontade.

Levando minhas convicções da ideologia à anatomia, confesso que sinto-me mais à vontade tatuando do lado direito do corpo. Não que eu seja radical. Pelo contrário, sou até bastante complacente: comigo, os esquerdistas regenerados têm a chance de eliminar as bobagens que um dia resolveram estampar na carcaça. Desenvolvi uma tecnologia revolucionária, que permite a reconstituição da pele em sua pigmentação original. A tinta da tatuagem é expelida no máximo em uma semana, deixando todo o corpo livre para tattoos moralmente edificantes, como o Brasão do Exército ou a imortal efígie do General Emílio Garrastazu Médici. Há quem duvide, dizendo que é tudo conversa, que não há nada que remova uma tatuagem bem aplicada. Pois que apareçam por aqui para a prova de…

EX-TILINGUE

O estilingue sumiu do mapa. Bem como o bodoque, a chiloida, a baladeira, a funda, a atiradeira e demais sinônimos. Justifica-se o desaparecimento. Que chance teria o coitado numa queda de braço com o Xbox, o PS4, os jogos de realidade virtual e sua turma? É claro que não falo das atiradeiras de competição, que parecem uns bólidos, ultramodernas e produzidas com materiais sintéticos. É aquele rustiquinho, da roça mesmo, ou quando muito dos quintais das casas de vila, quase tão extintos quanto o próprio estilingue.

Por definição, o estilingue é uma traquitana contraditória. Para um militar em guerra, uma brincadeira de criança. Para um militante da paz, uma arma mortal travestida de brinquedo. Para mim e para você, talvez pairem controvérsias. Mas certamente concordaremos ao admitir que não existe uso politicamente correto ou ambientalmente justificável para um estilingue. Tanto na intenção com que é usado quanto no material necessário para fazer um.

Começando da estrutura básica: a forqu…