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Mostrando postagens de Maio, 2017

BANHEIRO RIMA COM DINHEIRO

Ele, particularmente, não via sentido nenhum nessa história de ler no banheiro. Seja no fato de ir ao WC para ler, ou de ler enquanto  não se resolvem pendências fisiológicas de naturezas diversas.

Ainda que até hoje se desconheça exatamente o porquê de se transformar vaso sanitário em poltrona de biblioteca, a verdade é que o hábito parece inerente à raça humana. Dessa constatação, veio a pergunta: como ganhar dinheiro com isso?

Uns quatro dias depois apareceu a resposta, no banho, ao ensaboar o sovaco esquerdo. "Lógico!, gritou ele. Histórias no papel higiênico!!!"

Enquanto negócio, a coisa era realmente promissora. Não só pelo ineditismo do produto, mas também pelo previsível aumento desenfreado do consumo. Se, para uma pessoa, cinquenta centímetros de papel é medida suficiente para determinada função, com a novidade a metragem média poderia multiplicar-se de maneira espetacular, dependendo do interesse do usuário e da capacidade da história em segurar sua atenção. 

A "p…

LADRÃO PREVENIDO VALE POR DOIS

Se você pensa que quem arrisca a vida é bombeiro, PM da favela da Rocinha ou dublê do Chuck Norris é porque nunca foi ladrão na vida. Nossa categoria deveria ter direito a adicional de insalubridade, tamanhos os riscos a que nos expomos.

Em nossa estafante labuta, os verdadeiros roubados somos nós, profissionais da contravenção. Estamos o tempo todo a um passo do Instituto Médico Legal, e por ameaças muito mais letais do que a ação da polícia. 

Não estou nem aí se deixo ou apago minhas digitais no local do crime. Uso luvas (aliás, duas em cada mão, para a eventualidade de uma delas arrebentar) com a intenção de me precaver de verminoses, dermatites, eczemas, micoses, sarnas, gripes e até mesmo lepra, dependendo do naipe do assaltado que sou obrigado a encarar para ganhar o pão de cada dia. 

O mesmo vale para o capuz. Tudo quanto é meliante veste para não ser reconhecido pelas vítimas ou pelas câmeras de segurança, mas para mim isso é o que menos importa. Uso para evitar vírus, especialme…

SAUDADE DOS MILHÕES*

Se há uma coisa que não falta para este humilde fardado da Guarda Municipal é experiência. Sou macaco velho, dos idos da radiopatrulha de fusquinha. Já sonhava em trabalhar na polícia desde o tempo em que a minha única munição era bala Chita. Isso lá no Belenzinho, meados dos anos 50. Minha coleção de revólveres de espoleta era famosa em todo o quarteirão. Me desfiz dela aos prantos, ao receber uma proposta irrecusável de um governador do Acre para equipar os coldres daqueles guardas-manequins-fakes vestidos com uniforme policial, que ficavam nas vias expressas e próximos aos camelódromos de Rio Branco. 

Lembro como se fosse hoje da Operação Propi-Corn, uma das primeiras de que participei. Os milhões eram escondidos disfarçados de inocentes piruás no fundo de saquinhos de pipoca, servidos sem mãos a medir nas festas juninas da Granja do Torto. Gatunagem da grossa. Chegamos com os cães farejadores e os meliantes engravatados, alguns deles com ridículos bigodes de carvão e remendos nos t…