Pular para o conteúdo principal

SEM PIZZA? SEM CHANCE!




Existe pouquíssima coisa melhor que pizza, embora ninguém possa garantir que essas pouquíssimas coisas sejam, de fato, melhores que ela. Mas, se existirem mesmo, seriam tão poucas que caberiam no espaço de meia pizza brotinho. Com folga.

Não havendo pizza, no mínimo três quartos dos motoqueiros também não existiriam ou estariam fazendo outra coisa na vida, pois não teriam o que entregar. 

Esse nosso mundinho, que já não é lá o melhor lugar da via láctea pra se viver, ficaria insuportável. Até o universo corporativo seria afetado. Os gráficos-pizza do powepoint precisariam se chamar gráficos-queijo, gráficos-torta ou coisa parecida. As esticadas de expediente, madrugada adentro, nas agências de propaganda e redações de jornal, resultariam compreensivelmente improdutivas sem a consoladora perspectiva da uma redonda crocante, de preferência com borda de catupiry ou cheddar, para tirar o estômago das costas e saudar o sol nascente. 

A vida noturna de Sampa seria no mínimo um terço menor, ou três fatias, supondo como analogia uma pizza de dez pedaços. Estatísticas do ano de 2013 dão conta de um total de 15.000 restaurantes e 4.500 pizzarias na capital paulista. Vai gostar de pizza assim lá na Itália, ô meu...

Pizzas coroam as grandes conquistas, arrematam com perfeição os momentos mais esperados, são o ápice da satisfação humana. Exagero? De jeito nenhum. O camarada se mata de estudar para ser um bom aluno e entrar numa faculdade bacana. Faz a faculdade bacana para buscar um bom emprego. Consegue, com o bom emprego, a realização na forma de um carro moderninho, de uma parceira interessante, de uma casa com projeto de arquiteto. Dentro da casa, o quarto. No quarto, a cama. E depois daquela coisa boa que se faz na cama, o que vem na sequência? Pizza. Para repor as energias e cogitar uma segunda rodada. Não necessariamente de pizza. 

Mas, se tivesse mesmo que inexistir a partir de amanhã, que eu tenha a chance de guardar hoje uma última fatia na geladeira para degustá-la fria e com a mussarela plastificada, regada a um generoso fio de azeite. Ô, tentação deliciosa. Até abaixo de zero a redonda não tem rival.  

É preciso reconhecer que nem tudo, entretanto, estaria perdido num mundo desgraçadamente desprovido dessa maravilha. As maracutaias de Brasília, por exemplo, não mais acabariam nela. O que seria espetacular. 





© Direitos Reservados
Imagem: ebpembalagens.com.br

Comentários

  1. Em Brasília... até nossas deliciosas pizzas caem na perdição!! Desmoralizadas, mal faladas e consumidas por pessoas 'indigestas'.
    Abraço.

    ResponderExcluir
  2. Pode me incluir nos clientes. Sei fazer também, por ter aprendido a arte do pão.
    Servido?

    ResponderExcluir
  3. Marco Antonio Rossi12:25 PM

    Bom dia otima semana.
    Pizza alegria da família e a chance de todos à mesa. Tristemente rotulada com a podridão dos políticos....
    Abraço

    ResponderExcluir
  4. Claudete Amaral12:28 PM

    Tirando as de Brasília, que deixam na gente uma raiva contida.......é um alimento delicioso! Tem razão!
    Bom domingo!
    Claudete

    ResponderExcluir
  5. Antonio Carlos Antoniazi12:35 PM

    Eu e minha esposa retornamos agora de uma pizzaria. Vejo que este sábado realmente estava programado para terminar em pizza, meu caro amigo Marcelo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Terminou em pizza – mas no bom e honesto sentido!!! Abraços, Antoniazi.

      Excluir
  6. Beth - Entrementes12:37 PM

    Eu também aguardo ansiosamente seus textos – todo sábado, tem um texto novo saindo do forno. Sábado é dia de degustar uma pizza e ler o seu texto, com gosto. E sem pizza, nós humanos, seríamos mais infelizzes ainda.
    Abração
    Beth

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Espero que as fornadas aos sábados continuem correspondendo, Beth! Muitos abraços.

      Excluir
  7. Joka - Entrementes12:38 PM

    Pizza – domingo passado saindo do pronto socorro, depois de ir tratar minha garganta e sinusite procurei um pedaço de pizza na padaria bem chic do bairro… qual minha surpresa? Torta!
    Belo texto! Já estou ficando bem acostumado aos sábados, com seus textos.
    Abraços.

    ResponderExcluir
  8. Beth - Entrementes12:39 PM

    Joka, no sábado a gente espera o texto do Marcelo e na sexta, os contos do Milton. Por isso é legal a regularidade do colunista. Valeu!

    ResponderExcluir
  9. Maria Helena Dix Carneiro12:43 PM

    Era tão bom quando vc publicava direto no facebook!!!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Oi, Maria Helena Dix Carneiro! Então, eu faço essas chamadas para a minha página - e queria colocar o link para ir direto. Ocorre que quando se digita www... some o fundo colorido da mensagem, que é o que dá destaque. É estranho esse "police" do facebook, não vejo muito sentido pra isso... Abraços pra você!

      Excluir
  10. Daniel Santos12:54 PM

    Essa sua pizza literária está entre as melhores que já comi na vida. É melhor registrar a autoria, antes que algum aventureiro lance mão e boca dela, com perdão do cacófato. Obrigado, caro Marcelo, por esse agrado em pleno fim-de-semana. Comi tudo, nem ofereci a ninguém!.

    ResponderExcluir
  11. Maria Tereza Torres Mantovani12:55 PM

    Ótimo texto Marcelo Pirajá Sguassábia, já vou pedir uma em sua homenagem! !!!

    ResponderExcluir
  12. Nicete Campos12:57 PM

    Excelente analogia, apesar de eu não gostar de pizza (a não ser as de Bologna).

    ResponderExcluir
  13. Rita Lavoyer1:00 PM

    Sinceramente... Eu não gosto muito de pizza de tanto que já comeram e que ainda comem aqui em casa, dispensando meus ovos fritos. Aí, quando a redonda chega, dispenso o ovo e ... Como a pizza também para não sobrar.
    Parabéns, Marcelo. Adorei sua pizza.

    ResponderExcluir
  14. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  15. Marcio Ketner Sguassábia1:03 PM

    Eu quem agradeço pela safra de todos os sábados que aguardo ansiosamente!

    ResponderExcluir
  16. Zezinha Lins1:04 PM

    Gosto demais de pizza, como eventualmente porque não devo comer diariamente. Texto com cheiro e sabor da minha pizza preferida. Abraço, Marcelo.

    ResponderExcluir
  17. Clotilde Fascioni1:05 PM

    Pizza é tudo de bom sempre e a qualquer hora mesmo. Nem consigo imaginar um mundo sem ela. Delicia de texto que assim como as pizzas comparece sempre apetitoso nos finais de semana. Abrçs meu amigo Marcelo Pirajá Sguassábia...♥♥

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

A CAPITAL MUNDIAL DO BILBOQUÊ

Para os menores de 30, é natural não conhecê-lo. Então comecemos por uma sucinta porém honesta definição.

Bilboquê: originário da França, há cerca de 400 anos, foi o brinquedo favorito do rei Henrique III. Consiste em duas peças: uma bola com um furo e um pequeno bastão, presos um ao outro por um cordão. O jogador deve lançar a bola para o alto e tentar encaixá-la na parte mais fina do bastão. (fonte:www.desenvolvimentoeducacional.com.br).

Mais do que um brinquedo, Bilboquê é o nome de uma cidade, localizada a noroeste da pacata estância de Nhambu Mor. Chamada originalmente de Anthero Lontras, foi rebatizada devido ao número desproporcional de habitantes que fizeram do bilboquê a razão de suas vidas, dedicando-se ao artefato em tempo integral (incluindo-se aí os intervalos para as necessidades fisiológicas).

A tradição se mantém até hoje, ganhando novos e habilidosos adeptos. Nem bem raia o dia na cidade e já se ouvem os toc-tocs dos pinos tentando encaixar nas bolas. Uma distinção se…

SANTA LETÍCIA

Letícia, em seu compartimento estanque, se bastava. Vivia debaixo de uma campânula guardada por um querubim estrábico, numa imunidade vitalícia às dores do parto, à lavagem da louça, às filas nas repartições e à rabugice dos maridos sovinas e dominadores. “Façam o que quiserem, contanto que poupem a Letícia” era o veredito invariável sob qualquer pretexto e em qualquer ocasião, naqueles sítios de lagartos e desgraças.
Nada que se comparasse àquela que chamavam de Letícia, e que raras vezes se afastava de seus cães e de sua coleção de abajures. Era o tesão das rodas regadas a cerveja. Era a inveja e o assunto nos salões de beleza. Era o exemplo de virtude no sermão do padre, que botava as duas mãos no fogo do inferno e uma terceira se tivesse pela sua inteireza de caráter.
Assim a vida corria daquele jeito de costume, com a cidade a lhe estender tapetes, a lhe levar no colo e a lhe cobrir de afagos, soprando-lhe o dodói antes que se machucasse. Passou a ser o tema das redações escolares …

ESTRANHA MÁQUINA DE DEVANEIOS

Habituais ou esporádicos, todos somos lavadores de louça. Lúdico passatempo, esse. Sim, porque ninguém vai para a pia e fica pensando: agora estou lavando um garfo, agora estou enxaguando um copo, agora estou esfregando uma panela. Não. Enquanto a água escorre e o bom-bril come solto, o pensamento passeia por dobrinhas insuspeitas do cérebro. Numa aula de história, em 1979. O professor Fausto e a dinastia dos Habsburgos, a Europa da Idade Média e seus feudos como se fosse uma colcha de retalhos. O Ypê no rótulo do detergente leva ao jatobazeiro e seu fruto amarelo de cheiro forte, pegando na boca. Cisterna sem serventia. Antiga estância de assoalhos soltos. Rende mais, novo perfume, fórmula concentrada com ação profunda. A cidade era o fim da linha, literalmente. O trem chegava perto, não lá. Trilhos luzindo ao meio-dia. Inertes e inoperantes. As duas tábuas de cruzamento/linha férrea dando de comer aos cupins. Crosta de queijo na frigideira, ninguém merece. Custava deixar de molho? A…