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RETATUANDO



A ideia é fantástica: tattoo imitando pele, para ser aplicada por cima do corpo tatuado, simulando uma derme zero quilômetro. Um processo caríssimo e muito mais demorado do que encher o corpo de dragões, flores, âncoras, crânios, frases e assemelhados. 

Há uma vasta escala de cores com todos os tons de pele possíveis e imagináveis. Encontrado o tom exato do cliente, este passará semanas aos cuidados do tatuador, tendo que suportar um total estimado de 4 trilhões de agulhadas até que a falsa nova pele fique pronta.

A nova tecnologia tem duas finalidades principais. A primeira é possibilitar a reversão do que até agora era irreversível, deixando o corpo da forma com que veio ao mundo. A segunda é como limpar um muro todo pichado e deixá-lo pronto para nova pichação. Ou seja, uma solução voltada aos amantes compulsivos dessa antiga arte - aqueles que só não carregam mais tatuagens em si por falta de espaço na carcaça. 

O primeiro público consiste, em sua maioria, de evangélicos neoconvertidos, que de uma hora para outra encasquetam que seu corpo é a morada do Senhor e, como tal, deve ser mantido do jeitinho que foi criado. E também dos desiludidos do amor, que aplicaram em si mesmos frases ou extensas declarações de paixão eterna, com o nome da cara metade, e acabaram por levar um pé na bunda. 

Já o segundo público, bem mais "outsider" que o primeiro, terá a sensação de portar sobre si um verdadeiro parque de diversões, podendo substituir desenhos e símbolos que considere ultrapassados ou dos quais já esteja farto de carregar pra baixo e pra cima. Para esses alternativos, seria como nascer de novo - abrindo seus corpos para o inenarrável prazer de entupir cada poro de tinta. 



Esta é uma obra de ficção
Imagem: absfreepic.com
© Direitos Reservados


Comentários

  1. Antoniazi10:23 AM

    Interessante, Marcelo Pirajá Sguassábia, a pluralidade de tatuagens e de interessados em receberem uma tatuagem. Quanto à pichação de um muro, lembrei-me daquele que pichou num muro recentemente pintado, "PUTA". No dia seguinte, o proprietário do muro mandou que sobre aquela pichação fosse passada uma boa mão de cal. Mas não providenciou, de imediato, uma nova pintura. Passados alguns dias estava lá uma nova pichação: "Aqui, breve, "PUTA".

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  2. Jorge Cortás Sader Filho10:24 AM

    Em época de crise, o aproveitamento de espaço para desenhar é válido sim senhor!

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  3. Clotilde Fascioni10:25 AM

    Uauuuu que idéia maravilhosa meu amigo Marcelo Pirajá Sguassábia! Será que o "sistema" esconde rugas e cicatrizes? Seria uma maravilha e eu já estaria na fila desde a madrugada. Boa semana meu querido, sempre com idéias fantásticas.

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